EUA deixaram de ser inimigo que tem agora "várias caras"
A Rússia deixou de considerar os Estados Unidos como o inimigo externo e considera agora "ofensores" os países vizinhos que antes integravam a família soviética e que criam "problemas concretos quotidianos", de acordo com uma sondagem hoje divulgada.
Para os russos, os mais antipáticos são a Letónia (49 por cento), a Lituânia (42 por cento), a Geórgia (38 por cento) e a Estónia (32 por cento), revela um estudo do Centro Analítico Levada, realizado entre 1.600 cidadãos de várias regiões da Rússia, divulgado pela agência russa Novosti.
A lista dos amigos da Rússia é liderada pela República da Bielorrússia, com 46 por cento das respostas, seguindo-se a Alemanha (23 por cento), o Cazaquistão (20 por cento), a Índia (16 por cento) e a França (13 por cento).
As marcas da guerra-fria estão a desaparecer da sociedade russa, depois de em meados da década de 90, se ter verificado um ressurgimento de sentimentos anti-norte-americanos devido a vários conflitos internacionais, como os bombardeamentos na ex-Jugoslávia e a guerra no Kosovo, de acordo com sociólogos russos.
Os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos apagaram a imagem de "inimigo", associada a este país e desenvolvida pela propaganda soviética, referem os peritos.
As novas gerações russas pós-soviéticas não têm contas a ajustar com Washington e na opinião pública russa, a imagem do inimigo externo "perdeu o peso e o tamanho" estratégico de outrora, de acordo com o analista da agência Novosti, Vladimir Simonov.
Na opinião de Simonov, as antipatias em relação aos três países bálticos é uma reacção à situação dos quase 700 mil russos que reclamam seus direitos na Letónia, Lituânia e Estónia.
Quanto à Geórgia, república com a qual a Rússia mantém relações próximas desde o século XIX, a opinião pública russa considera que a "política dura" das autoridades georgianas em relação a Moscovo é apoiada financeiramente pelos Estados Unidos.
O analista do Novosti considera "cómico" o facto de um país do tamanho da Rússia "estar a encarar como inimigos sérios Estados do calibre da Letónia, Lituânia ou Geórgia".
Segundo as conclusões de Vladimir Simonov, o inimigo actual da Rússia é "um arruaceiro, mas nunca uma fonte de ameaça".