EUA e 12 países árabes defendem livre passagem no Estreito de Ormuz
O Comando Central norte-americano (Centcom) liderou hoje uma reunião no Bahrein com altos comandantes militares de 12 países árabes sobre a segurança no Médio Oriente, onde foi defendida a livre passagem no Estreito de Ormuz, cuja soberania o Irão reclama.
Em comunicado, o Centcom referiu que "liderou um diálogo regional de segurança, organizado pelas Forças de Defesa do Bahrein", com a participação do almirante Brad Cooper e de altos comandantes militares do Bahrein, Egito, Jordânia, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Iémen, Líbano e Síria.
O diálogo de segurança com os Estados Unidos marcou "a primeira vez que os líderes militares da Síria e do Líbano participaram numa conferência regional de defesa liderada pelos EUA", afirmou Cooper.
Durante a reunião, "analisaram o atual cenário de segurança regional e as oportunidades para reforçar a cooperação em matéria de defesa" e reafirmaram "o seu compromisso partilhado com o livre fluxo de comércio através do Estreito de Ormuz".
"Continuamos a trabalhar em estreita colaboração com os nossos parceiros regionais", afirmou Cooper, que esteve terça-feira no Líbano para coordenar com o país o acordo-quadro alcançado com Israel.
O oficial norte-americano assegurou que "os diálogos realçaram" o compromisso partilhado com a segurança e a estabilidade regional.
"Os Estados Unidos e os seus parceiros regionais operam no Médio Oriente o sistema de defesa aérea e antimíssil ativo mais sofisticado e abrangente do mundo", observou.
Em janeiro, o Centcom e os países da região "estabeleceram uma nova célula de coordenação de defesa aérea para o Médio Oriente, destinada a partilhar informações e alertas sobre ameaças, bem como a responder a contingências", indicou.
O encontro acontece no meio de negociações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos no Qatar, após o ataque de Teerão na semana passada a dois navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz e a resposta norte-americana com ataques aéreos contra território iraniano no fim de semana.
O Irão reagiu à ofensiva norte-americana lançando mísseis e `drones` contra os seus aliados no Bahrein e no Kuwait.
Sobre o Estreito de Ormuz, epicentro das tensões, o chefe da equipa negocial do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na terça-feira que Teerão "não abdicará dos seus direitos" sobre esta passagem crucial no comércio marítimo global e reiterou que a isenção de taxas para o trânsito pelo estreito terá apenas a duração de 60 dias, conforme estipulado no acordo preliminar.
"A soberania sobre o Estreito de Ormuz pertence ao Irão e a Omã, e o tráfego através do estreito é regido por acordos especificados pelo Irão. O Irão não abdicará dos seus direitos no Estreito de Ormuz em nenhuma circunstância, uma vez que estas são as nossas águas territoriais", declarou numa entrevista transmitida pela televisão estatal IRIB.
O memorando de entendimento assinado em 17 de junho por Estados Unidos e Irão, que suspendeu as hostilidades mais de três meses após o início do conflito entre os dois lados, estipula que Teerão não irá desenvolver armas nucleares.
O texto prevê também o estabelecimento de um mecanismo para processar os `stocks` iranianos de urânio altamente enriquecido, "no mínimo, por um método de diluição no local sob a supervisão da AIEA".
Ao abrigo do memorando, as partes têm, a partir da assinatura do documento, 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo.
Sobre as negociações, Ghalibaf acusou os Estados Unidos de não estarem a cumprir os primeiros dos 14 pontos contidos no recente memorando de entendimento.
"Não abordaremos as restantes questões até que os cinco primeiros [pontos] estejam cumpridos. Sempre que for tomada alguma ação que viole o ponto 1, referente ao fim da guerra, agiremos em conformidade. Os acontecimentos que se desenrolam no Estreito de Ormuz são consequência disso. Os acontecimentos a que o Hezbollah está a responder no Líbano são também consequência disso", declarou.
O dirigente iraniano defendeu o uso da força devido à falta de "lógica e entendimento" e em consequência dos ataques levados a cabo pelos Estados Unidos contra o Irão na semana passada, após Teerão ter atacado um navio que atravessava o Estreito de Ormuz.
"Consideramos o que aconteceu no Golfo Pérsico nas últimas noites uma violação do cessar-fogo", afirmou Ghalibaf, que criticou os norte-americanos por serem "autoritários e arrogantes" nas suas ações.
"Damos prioridade ao diálogo, mas se este diálogo falhar, também estamos prontos para a guerra", disse Ghalibaf, que é ainda presidente do Parlamento.