EUA empenham quatro mil soldados em ofensiva no Sul do Afeganistão
Quatro mil operacionais dos Marines dos Estados Unidos e 650 soldados das tropas regulares afegãs desencadearam nas últimas horas uma ofensiva contra um dos bastiões da guerrilha taliban no Sul do Afeganistão. A Operação Khanjar, ou Golpe da Espada, incide sobre a província de Helmand, onde os guerrilheiros islamistas prometem resistir até ao último homem.
A Operação Golpe da Espada, explicou o brigadeiro general dos Marines Larry Nicholson, é diferente de todas as antecessoras, dada a velocidade que os estrategas quiseram imprimir às manobras e "o tamanho da força" envolvida. O objectivo é aplicar um garrote à guerrilha taliban, de forma a garantir melhores condições de segurança para a realização das eleições presidenciais de 20 de Agosto. Ao mesmo tempo, as forças norte-americanas esperam domar a cultura de papoilas que dá à província de Helmand a maior produção de ópio à escala mundial.
"Para onde formos, vamos ficar. Onde ficarmos vamos aguentar, construir e trabalhar no sentido da transferência de todas as responsabilidades de segurança para forças afegãs", afirmou em comunicado o brigadeiro general Nicholson.
Operação inédita em Helmand
Às primeiras horas do dia, vagas de helicópteros de transporte de tropas despejaram centenas de soldados norte-americanos sobre as localidades de Nawa e Garmsir, nas cercanias de Lashkar Gah, a principal cidade da província de Helmand.
Em declarações à BBC, o capitão William Pelletier, porta-voz militar dos Estados Unidos, deu conta de um escasso "contacto com o inimigo" nas primeiras movimentações das tropas. A partir do terreno, porém, o capitão Drew Schoenmaker, que comanda uma das companhias de Marines, garantia esta quinta-feira à Associated Press que muitos dos rebeldes estão a ser apanhados de surpresa: "Estamos, de certa forma, a forjar uma nova posição. Estamos a ir a um sítio onde ninguém foi até hoje".
De Nawa saiu o relato de uma troca de tiros entre soldados norte-americanos e um grupo de duas dezenas de guerrilheiros taliban. Na mesma zona, as tropas afegãs foram atacadas com granadas de morteiro a partir de várias casas da população local e um helicóptero de combate Cobra disparou munições sobre objectivos dos rebeldes. Um efectivo dos Marines sofreu ferimentos ligeiros causados pela explosão de uma bomba.
A chegada das tropas terrestres foi antecedida por uma sequência de bombardeamentos aéreos conduzidos por aparelhos da NATO. Na semana passada, um contingente de forças britânicas lançara uma operação menos expressiva em Helmand, sob a bandeira da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) da Aliança Atlântica. Grande parte das despesas dos combates a Sul, que desde 2006 fazem o quotidiano daquela região, tem recaído sobre as tropas da Grã-Bretanha - uma explosão ocorrida quarta-feira infligiu mais duas baixas ao contingente britânico.
"Guerra psicológica"
Ganhar a guerra ideológica é outro dos desígnios das chefias norte-americanas, que instruíram os militares no terreno para que procurem arregimentar o apoio dos chefes tribais da região, atendendo, sempre que possível, às suas reivindicações. Os soldados dos Estados Unidos, vincou o capitão William Pelletier, "não querem que as populações de Helmand os vejam como inimigos".
A tarefa enunciada por Pelletier é complexa. Numa área de forte implantação islamista, o ascendente pertence à guerrilha. Yosuf Ahmadi, um porta-voz taliban citado pela agência afegã AIP, inscreveu os números agitados pelas patentes norte-americanas como "parte da guerra psicológica". E prometeu uma feroz resistência: "Se há realmente quatro mil soldados a participar nas operações, eles não vão obter qualquer vitória permanente".
Por sua vez, o governador de Helmand, Gulab Mangal, afirma esperar que a Operação Khanjar seja "muito eficaz". Segundo o responsável, citado num comunicado do Pentágono, as forças de segurança "vão construir as bases para dar segurança às populações locais, permitindo-lhes realizar todas as actividades neste cenário favorável e fazer avançar as suas vidas em paz".
Islamabad reforça a fronteira
Enquanto as tropas norte-americanas aceleram as movimentações no Sul do Afeganistão, o Paquistão dá início ao destacamento das suas próprias forças para a região de Chaman, que faz fronteira com a província de Helmand.
"Basicamente, trata-se de uma redistribuição de tropas que já se encontram no local. É uma antecipação de movimentos do outro lado. A área da redistribuição é em torno de Chaman, no Baluchistão", indicou à BBC o major general paquistanês Athar Abbas.
O contingente internacional no Afeganistão reúne 61.130 efectivos militares destacados por 42 países. Os Estados Unidos asseguram o maior contributo com 28.850 soldados.