EUA falam em "caminho de progresso" nas negociações com o Irão

EUA falam em "caminho de progresso" nas negociações com o Irão

Os Estados Unidos ou chegarão a um bom acordo com o Irão ou negociarão com o país "de outra forma", afirmou o secretário de Estado Marco Rubio esta segunda-feira, enquanto Washington minimizava as esperanças de um avanço iminente na guerra que dura há três meses.

RTP /
Julia Demaree Nikhinson - Pool via Reuters

Em declarações aos jornalistas em Nova Deli, Marco Rubio afirmou que os EUA darão à diplomacia todas as hipóteses de sucesso antes de explorar "alternativas", depois de o presidente Donald Trump ter dito no domingo que tinha instruído os seus representantes para não se precipitarem em qualquer acordo com o Irão.

Sem confirmar a possibilidade, o chefe da diplomacia norte americana, que está de visita à Índia, deixou no ar a hipótese de o memorando de entendimento e fala num “caminho de progresso. Ou vamos ter um bom acordo, ou teremos de lidar com isso de outra forma."

O acordo está no caminho do progresso, pensámos que podíamos ter alguma novidade ontem à noite. Talvez hoje. Temos o que considero ser um dado bastante sólido, sobre a mesa, em termos da capacidade de abrir o Estreito de Ormuz. Entrar numa negociação muito significativa e limitado no tempo sobre questões nucleares”, explicou Marco Rubio.

O secretário de Estado norte-americano tem esperança que se possa realizar a negociação que “tem muito apoio dos países do Golfo”. Irão afirma que acordo não está iminente
O Irão mencionou esta segunda-feira progressos nas negociações com os Estados Unidos para alcançar um fim duradouro à guerra, mas rejeitou a ideia de um acordo iminente.

"É verdade que chegámos a acordo sobre grande parte dos assuntos em discussão", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, durante a conferência de imprensa semanal.

"Mas dizer que a assinatura de um acordo é iminente, ninguém pode afirmar isso", acrescentou, acusando Washington de inconsistência.

O mesmo responsável reiterou que as negociações estão focadas no fim da guerra e não no programa nuclear iraniano, assunto que disse ir ser será abordado posteriormente.
Israel tem o direito de se defender
Marco Rubio considera que Israel terá sempre o direito de se defender, independentemente de qualquer acordo entre Washington e Teerão, ecoando declarações do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu.

"Israel tem sempre o direito de se defender. Todos os países do mundo têm esse direito. Portanto, se o Hezbollah estiver a preparar-se para lançar mísseis ou lançar mísseis contra eles, Israel tem o direito de ripostar", declarou Marco Rubio a jornalistas a partir de Nova Deli, onde se encontra em visita.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tinha afirmado no domingo que Donald Trump, durante uma chamada telefónica, reiterou "o direito" de Israel de combater no Líbano, onde o exército israelita tem como alvo o Hezbollah pró-iraniano.

Economia mundial abalada pelo fecho do Estreito de Ormuz

Desencadeado a 28 de fevereiro por um ataque norte-americano e israelita ao Irão, o conflito alastrou-se a grande parte do Médio Oriente e causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, onde o movimento pró-iraniano Hezbollah se juntou às hostilidades no início de março, atacando território israelita.

Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de abril entre o Irão e os Estados Unidos, mas a economia mundial continua a ser abalada pelo quase bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, por iniciativa do Irão, há quase três meses.Enquanto os Estados Unidos trabalham para chegar a um acordo, o Presidente Donald Trump moderou as esperanças no domingo, apesar dos sinais de progresso de ambos os lados.

"Pedi aos meus representantes que não se apressassem a chegar a um acordo, pois o tempo joga a nosso favor", escreveu Trump na rede social Truth Social, alertando também que o bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos permaneceria em vigor "até que um acordo seja concluído, certificado e assinado".

A Casa Branca considera "que a aprovação do acordo pelas autoridades iranianas poderá demorar vários dias", segundo o meio de comunicação Axios.

"Como o Presidente disse, ele não tem pressa, não vai celebrar um mau acordo e o Presidente não assinará um mau acordo", sublinhou hoje Marco Rubio.

Segundo a imprensa norte-americana, o acordo em preparação entre Teerão e Washington permitiria que os navios voltassem a atravessar o Estreito de Ormuz, passagem pela qual transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo antes do conflito.


Impulsionados pelas expectativas de acordo, os preços do petróleo recuaram esta manhã na Ásia. Os preços do barril de Brent do Mar do Norte e do WTI americano caíram mais de 5% pouco depois das 04h00 TMG.Segundo a CBS News, que cita fontes próximas das discussões, a última proposta incluiria também o desbloqueio de certos ativos iranianos em bancos no estrangeiro.

"Apesar das discussões iniciadas hoje [domingo], os Estados Unidos continuam a travar certas cláusulas do acordo, nomeadamente a questão do desbloqueio dos ativos iranianos congelados, e estes pontos permanecem, neste momento, por resolver", indicou a agência noticiosa iraniana Tasnim.

A Fars, outra agência de notícias iraniana, divulgou que as sanções relativas ao petróleo, gás e outros produtos petroquímicos seriam igualmente levantadas enquanto as negociações prosseguissem, a fim de permitir ao Irão exportar estes produtos, essenciais para a sua economia.

O acordo em discussão não parece, entretanto, resolver a questão nuclear.


"As negociações sobre o nuclear são questões altamente técnicas. Não se pode resolver uma questão nuclear em 72 horas numa mesa de café", declarou Marco Rubio ao New York Times.

Uma vez garantida a reabertura do Estreito de Ormuz, "iniciaremos, de acordo com as modalidades acordadas, negociações muito sérias sobre o enriquecimento, sobre o urânio altamente enriquecido e sobre o compromisso deles de nunca se dotarem de armas nucleares", disse o chefe da diplomacia norte-americana, referindo, a este respeito, um prazo de "60 dias".

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo ter acordado com Trump que qualquer acordo final com o Irão deveria "eliminar totalmente a ameaça nuclear", segundo um comunicado após uma conversa telefónica no sábado à noite entre os dois aliados.

O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, mediador nas negociações, alimentou no domingo a hipótese de uma resolução do conflito em várias fases, declarando que esperava "acolher muito em breve a próxima ronda de negociações", depois de uma primeira em Islamabad a 11 de abril, sem resultados.

c/ Agências 
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