Quase 240 detidos no Irão acusados de ajudar ação militar dos EUA e Israel
As detenções ocorrerem nas províncias de Kermanshah (oeste) e Curdistão (noroeste), precisou a guarda ideológica do regime iraniano num comunicado divulgado pela agência Mehr.
Os detidos integravam "várias equipas afiliadas a grupos antirrevolucionários apoiados pelos Estados Unidos e pelo regime sionista", afirmou a Guarda Revolucionária.
As equipas em causa "procuravam preparar o terreno para um ataque militar a partir do oeste do país", referiu, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
(agência Lusa)
TotalEnergies teme escassez de combustível na Europa se bloqueio continuar
Em declarações transmitidas hoje pelo canal BFMTV, Pouyanné enfatiza: "Já absorvemos todo o excedente (das reservas). Se a situação continuar por mais dois ou três meses, entraremos numa era de escassez de energia como a que já foi vivenciada por alguns países asiáticos."
Estas declarações, um excerto do seu discurso numa conferência organizada desde sexta-feira em Chantilly pelo Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), insistem que, embora essa escassez ainda não se materialize, não se pode "permitir que 20% das reservas de petróleo e gás fiquem inacessíveis sem graves consequências".
O responsável fazia referência ao encerramento quase total do estreito de Ormuz pelo Irão em resposta à guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel, que, segundo o CEO da TotalEnergies, é a questão que tem de ser resolvida, e "rapidamente".
c/ Lusa
Israel mantém ataques contra Hezbollah apesar da nova trégua
Israel atacou posições do grupo xiita Hezbollah no sul do Líbano durante a noite, anunciou hoje o exército israelita, apesar da nova trégua de três semanas anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O anúncio da trégua por Washington foi uma condição imperativa das autoridades iranianas para prolongar o cessar-fogo na guerra do Irão e permitir negociações, que deverão recomeçar hoje no Paquistão.
As forças de Israel atacaram posições de lançamento de foguetes do Hezbollah em Deir Zahran, Kafr Raman e Al Saamiya, disse o estado-maior israelita num comunicado citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).
As zonas atacadas situam-se a norte da linha amarela que marca as posições avançadas de Israel após a invasão do sul do Líbano.
Ainda não há registo de vítimas nestes novos ataques de Israel.
A agência oficial de notícias libanesa NNA confirmou confrontos entre Israel e o Hezbollah em Bint Jbeil, bastião das milícias no sul libanês, igualmente sem confirmação de baixas até ao momento.
Nas últimas horas, o jornal israelita Haaretz, que cita fontes militares, noticiou que o exército retirou "boa parte das forças" no sul do Líbano para consolidar posições em vez de continuar a avançar.
O exército israelita ainda controla uma linha de posições nas colinas situadas entre oito e 10 quilómetros a norte da fronteira com o Líbano para impedir que mísseis antitanque atinjam as populações fronteiriças.
No entanto, o número de efetivos e a carga de trabalho diminuíram significativamente, de acordo com as informações do Haaretz.
A ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah já causou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados desde 02 de março, segundo as autoridades de Beirute.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em retaliação pela morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva israelo-americana contra Teerão.
O grupo xiita rejeitou na sexta-feira o cessar-fogo "perante a continuação dos atos hostis de assassínio, bombardeamento e disparos por parte de Israel".
"Cada ataque israelita contra qualquer alvo libanês, independentemente da natureza, confere à resistência o direito de responder proporcionalmente, de acordo com o contexto no terreno", advertiu o deputado do Hezbollah Ali Fayyad.
Israel exige ao Governo do Líbano o desarmamento do Hezbollah, entre outras condições para cessar as hostilidades.
Aeroporto de Teerão retoma hoje voos internacionais
Segundo informações da emissora estatal iraniana IRIB, o aeroporto reiniciará as rotas para Istambul, Mascate (capital de Omã) e Pequim hoje. "Os voos de carga operarão normalmente", acrescentou a reportagem.
O Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerão, é um dos dois principais aeroportos da capital iraniana.
c/ Lusa
Kuwait liberta jornalista detido há 52 dias por cobrir guerra
O jornalista kuwaitiano-norte-americano Ahmed Shihab al-Din deixou o Kuwait, após ter sido absolvido da acusação de divulgar informações falsas, no contexto da guerra no Médio Oriente, e libertado após 52 dias de detenção.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou a partida de Al-Din na sexta-feira, garantiu que o jornalista recebeu assistência consular e acrescentou que o paradeiro atual seria protegido por motivos de segurança.
Na quinta-feira, Al-Din foi absolvido das acusações de divulgação de informações falsas e de pôr em perigo a segurança nacional do Kuwait, acusações que o levaram a ser detido durante 52 dias.
Antes da detenção, o jornalista "comentou vídeos e imagens disponíveis publicamente relacionados com a guerra do Irão", disse o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ)
"Entre as suas publicações recentes estava um vídeo geolocalizado, verificado pela CNN, mostrando um caça norte-americano a cair perto de uma base aérea norte-americana no Kuwait", acrescentou o comité.
O caça terá sido abatidos por engano no Kuwait pelas defesas aéreas do país, nos primeiros dias do conflito que começou a 28 de fevereiro com a ofensiva EUA-Israel no Irão.
Al-Din, jornalista independente que trabalhou para o jornal norte-americano New York Times, a emissora do Qatar Al Jazeera English e a emissora pública norte-americana PBC, foi detido em 03 de março, enquanto visitava a família.
O CPJ sublinhou que Al-Din estava a ser processado, entre outras coisas, por "utilizar indevidamente o seu telemóvel", acusações denunciadas como "vagas e excessivamente amplas, rotineiramente utilizadas para silenciar jornalistas independentes".
Em 02 de março, o Ministério do Interior de Kuwait alertou contra a gravação ou divulgação de vídeos ou informações relacionadas com ataques iranianos contra países árabes.
O Kuwait promulgou uma lei a 15 de março que impõe penas de prisão até dez anos a qualquer pessoa que "divulgue notícias, publique declarações ou espalhe boatos falsos relacionados com entidades militares".
O CPJ observou ainda que a detenção de Al-Din tinha ocorrido no meio de uma campanha de "censura cada vez mais rigorosa da imprensa" não apenas no Kuwait, mas em todo o Golfo Pérsico.
Centenas de pessoas foram detidas em todo a região desde o início do conflito por partilharem imagens de ataques de retaliação com drones ou mísseis do Irão, bem como imagens de danos ou destroços de aeronaves intercetadas.
Os jornalistas também foram assediados e proibidos, em alguns países, de filmar ou fotografar danos de guerra.
Em retaliação pela ofensiva militar, o Irão condicionou o tráfego no Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Polémica entre Trump e Leão XIV foi "inútil e desnecessária", diz CEP
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considerou hoje que a polémica entre o Presidente dos EUA e o Papa Leão XIV foi "inútil e desnecessária" para todas as partes.
"Penso que foi uma nova polémica inútil e desnecessária, que não deveria ter existido porque não foi bom, não foi boa para ninguém, nem para os Estados Unidos, nem para a Igreja, nem para a realidade que se está a viver", afirmou, em entrevista à Lusa Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, recém-eleito presidente da CEP.
Há uma semana, durante uma visita apostólica a África, um discurso de Leão XIV contra a guerra no Médio Oriente e contra as ditaduras motivou fortes críticas de Donald Trump e o próprio vice-presidente dos EUA pediu cuidado ao líder da Igreja quando abordar temas teológicos.
No entender de Virgílio Antunes, "não devem existir estes confrontos" que têm "um caráter muito pessoal".
O presidente da CEP lamentou que existam políticos que pretendem "capturar o cristianismo" para o seu lado, "para justificar" perspetivas e ideologias, procurando "capturar a própria voz da Igreja, como se [a Igreja] tivesse que ficar aprisionada".
Pelo contrário, a "Igreja é para todos e fala às pessoas de todos os partidos e de todas as ideias e ideologias", pelo que "não pode ser capturada por nenhuma ideologia nem por nenhum partido", mas também "tem de fazer um esforço para não se intrometer naquilo que são as questões mais" mundanas.
Cabe à Igreja fazer recomendações gerais, com exemplos concretos, explicou, dando o exemplo dos conflitos: "A guerra é uma questão fulcral para a vida da humanidade" e "falar de guerras só de uma forma genérica" acaba por perder efeito.
Por isso, o discurso contra a guerra na viagem a África "fazia todo o sentido".
"Alguns sentiram-se incomodados, outros gostaram de ouvir", mas "o Papa felizmente pode estar a falar para todos" porque "parte destas guerras invocam questões culturais e questões religiosas", acrescentou.
A viagem a África mostrou a força do Papa na cena mundial, naquele que foi o seu primeiro grande momento de exposição pública depois de ter sido eleito.
Leão XIV "expôs-se totalmente, expôs as suas ideias, as suas perspetivas" e procurou "abordar as questões, mesmo as questões mais complexas".
O seu discurso sobre direitos humanos, pobreza ou democracia mostraram uma "voz absolutamente lúcida e clara" de um "daqueles homens que trazem a energia toda", comentou Virgílio Antunes.
A eleição do novo presidente da CEP aconteceu dia 14 em Assembleia Plenária, tendo os bispos portugueses escolhido o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, então vice-presidente da conferência, que irá exercer funções entre 2026 e 2029.
EUA intercetam navio iraniano face a incerteza sobre negociações
Os Estados Unidos anunciaram a interceção de uma embarcação de bandeira iraniana que tentava navegar até um porto no Irão, no âmbito do bloqueio naval ordenado pelo Presidente norte-americano Donald Trump.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom, na sigla em inglês), responsável pelo Médio Oriente, divulgou na sexta-feira, na rede social X, uma fotografia do contratorpedeiro de mísseis guiados USS Rafael Peralta a intercetar o navio.
Embora não existam números consolidados do Centcom, pelo menos 29 navios mercantes e petroleiros em trânsito para ou a partir de portos iranianos foram obrigados a parar, segundo a imprensa norte-americana, desde o início do bloqueio, a 13 de abril.
Na quarta-feira, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou a interceção de um navio que transportava petróleo iraniano no oceano Índico, a segunda operação militar deste tipo realizada no espaço de uma semana.
As forças norte-americanas também apreenderam um navio porta-contentores no fim de semana passado.
Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico da República Islâmica, apreendeu em 15 de abril dois navios no estreito de Ormuz por "operarem sem as autorizações necessárias".
O Presidente dos EUA prorrogou indefinidamente o cessar-fogo com o Irão, que expirava na quarta-feira, para permitir negociações com a República Islâmica.
Donald Trump assegurou, no entanto, que manterá o bloqueio naval imposto ao Irão, o que Teerão denunciou como uma violação da trégua, recusando por isso participar numa nova ronda de negociações.
O Departamento do Tesouro informou que o bloqueio portuário está a afectar 90% do comércio marítimo que entra e sai do Irão.
Segundo a Casa Branca, os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner vão viajar este sábado para o Paquistão para participar numa nova ronda de negociações de paz com o Irão, anunciou a porta-voz do Governo, Karoline Leavitt, na sexta-feira.
No entanto, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou na rede social X que, apesar de terem viajado na sexta-feira para o Paquistão, "não está prevista qualquer reunião bilateral" com os Estados Unidos.
Conflito causa deslocação forçada de quase 400 mil crianças no Líbano
A organização não governamental (ONG) Save the Children informou que, apesar do cessar-fogo declarado no Líbano, mais de um milhão de pessoas, incluindo 390 mil crianças, continuam deslocadas em todo o país.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo no Líbano, que deveria expirar no domingo.
"A notícia do prolongamento do cessar-fogo temporário por mais três semanas é um pouco reconfortante, mas as pessoas estão cautelosas e continuam a viver num estado perpétuo de incerteza; uma pausa não é suficiente", lamentou a diretora do escritório da Save the Children no Líbano.
"As famílias são obrigadas a suportar mais três semanas de incerteza, sem poderem regressar às suas vidas anteriores, vivendo em tendas nas ruas, em escolas e estádios", explicou Nora Ingdal.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de 117 mil pessoas, incluindo 40 mil crianças, permanecem em abrigos coletivos, e apenas um quinto dos deslocados regressou a casa desde que foi acordado o cessar-fogo.
"Encontrei-me com muitas crianças e famílias de todo o país, e todas me dizem a mesma coisa: querem voltar para casa, as crianças querem voltar para a escola e os adultos querem voltar para o trabalho", sublinhou Ingdal.
"As famílias querem deixar de viver num estado de incerteza, com medo de que a guerra regresse e sob o constante sobrevoo de drones", acrescentou a dirigente da ONG.
A ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah já causou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados desde 02 de março, segundo as autoridades de Beirute.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em retaliação pela morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva israelita e norte-americana contra Teerão.
De acordo com o Conselho Nacional de Investigação Científica do Líbano, mais de 62 mil casas foram danificadas ou destruídas durante a guerra.