EUA já bloquearam passagem de 75 navios no estreito de Ormuz
O Comando Central militar dos Estados Unidos (CENTCOM) travou até hoje 75 navios no Estreito de Ormuz, devido ao bloqueio decretado por Washington aos portos do Irão.
"Os Estados Unidos continuam a aplicar o bloqueio contra o Irão. À data de 27 de agosto, as forças do CENTCOM desviaram 75 navios comerciais, inutilizaram três e abordaram dois para garantir o cumprimento", afirmou o CENTCOM em comunicado nas redes sociais.
Na sequência do bloqueio naval ao Irão, Washington escalou ao declarar uma "guerra económica" contra o país, no fim do prazo de 60 dias que os dois países tinham acordado para alcançarem um acordo global para o fim do conflito, iniciado pela ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
Hoje, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à Fox News que Teerão já sente as sanções "devastadoras" anunciadas pelos Estados Unidos.
"A sua economia, como sabemos, está em queda livre. Estão numa situação devastadora", afirmou, reiterando que no Irão a inflação é superior a 100% e que não conseguem pagar os salários da polícia e dos militares.
O Irão anunciou o bloqueio da passagem pelo estreito em meados de julho, após o retomar dos ataques aéreos norte-americanos contra o sul do país, enquanto Washington respondeu voltando a impor um bloqueio aos navios e portos iranianos.
Esta rota marítima, por onde normalmente passa 20% do fluxo global de petróleo, é um dos pontos críticos no conflito que os Estados Unidos e o Irão têm travado desde o final de fevereiro, com meios navais norte-americanos posicionados e Teerão a realizar ataques com `drones` contra a navegação comercial.
Washington afirma que o Estreito está agora livre de minas, algo que Teerão nega, classificando o anúncio de "estratégia de propaganda".
A Casa Branca confirmou hoje que Washington não está atualmente em negociações ativas com a República Islâmica e que esta situação se manterá inalterada até que Trump considere que o Irão demonstre uma disposição definitiva para se sentar à mesa.
Nos últimos dias, Irão e Omã, que se situa no lado oposto do estreito de Ormuz, têm vindo a negociar a abertura de uma passagem temporária pela via.
Aviso OMI
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, apelou hoje às companhias de navegação que evitem transitar por Ormuz até que estejam garantidas as condições de segurança.
Em entrevista à agência Efe, Dominguez referiu que quase 6.000 tripulantes estão presos na zona de conflito há quase seis meses, sem possibilidade de retirada, enquanto cerca de 70 embarcações foram atacadas e 20 trabalhadores marítimos morreram na sequência do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irão.
"A minha mensagem para os armadores e operadores, incluindo as companhias de navegação, é que, em primeiro lugar, realizem avaliações de risco, mas, acima de tudo, evitem transitar pelo estreito de Ormuz", advertiu. O representante da OMI explicou também que os movimentos registados nos últimos dias foram "muito limitados", comparando com níveis semelhantes aos do início do conflito, e realçou que a prioridade deve ser a proteção dos marinheiros, e não a manutenção do fluxo comercial.
A paralisação tem consequências globais e, segundo Domínguez, aproximadamente 20% do petróleo bruto mundial, 19% do gás natural liquefeito e 13% dos produtos químicos e fertilizantes utilizados por outras economias passam pelo estreito de Ormuz.
Por isso, alertou que uma crise prolongada não afetará apenas os preços dos transportes e da energia, mas também poderá ter impacto na produção de alimentos.
"Quanto mais este conflito se arrastar (...) mais afetará os tripulantes e a população mundial, com repercussões económicas que também terão impacto na segurança alimentar nos próximos anos."