EUA lançam novos ataques de retaliação contra alvos iranianos
Pela segunda noite consecutiva, as forças armadas norte-americanas atacaram alvos iranianos, em retaliação por a República Islâmica ter atingido navios mercantes em águas próximas de Omã.
O Comando Central militar norte-americano (CENTCOM) adiantou nas redes sociais que, por ordem do Presidente Donald Trump, as forças norte-americanas "iniciaram ataques adicionais contra o Irão com o objetivo de reduzir ainda mais as suas capacidades de ameaçar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz". As vagas de ataques terça e quarta-feira, durante a madrugada iraniana, surgiram em resposta aos "recentes ataques injustificados" perpetrados pelo Irão no disputado estreito de Ormuz "contra navios mercantes e as suas tripulações civis", que "estavam a navegar livremente por esta via navegável internacional de importância estratégica".
Trump tinha ameaçado esta quarta-feira desencadear mais ações militares contra o Irão, após afirmar que os ataques iranianos contra navios civis assinalavam o fim do cessar-fogo.
"Vamos atacá-los com força esta noite", declarou o presidente norte-americano após a cimeira da NATO, em Ancara, garantindo que os novos confrontos terminariam "muito rapidamente" e deixando a porta aberta para a continuação das negociações diplomáticas com Teerão.
Horas depois dos bombardeamentos e ao pisar solo britânico, o presidente norte-americano voltou a ameaçar Teerão contra a repetição dos ataques a navios mercantes. "Se voltar a acontecer será muito pior", ameaçou.
Pouco depois do anúncio do CENTCOM, a televisão pública iraniana reportou explosões na ilha de Abu Musa. Já a agência de notícias do Irão, Irib, referiu que o hospital Imam Ali, em Chabahar, foi atingido por estilhaço.
Tudo por Ormuz
Esta mais recente troca de ataques abalou um frágil acordo de cessar-fogo e prejudicou as esperanças de transformar o memorando de entendimento assinado a 17 de Junho num acordo de paz permanente para pôr fim à guerra, que começou com ataques aéreos EUA-Israel contra o Irão a 28 de Fevereiro.
Nas conversações, que ainda não foram oficialmente interrompidas, o controlo do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento global de petróleo, tem atualmente mais importância para Teerão do que o seu programa nuclear.
O Estreito confere imensa influência ao regime iraniano, permitindo-lhe, na prática, forçar um impasse com a força militar mais poderosa do mundo.
Embora o Irão não tenha reivindicado a responsabilidade pelos ataques, os analistas afirmam que Teerão está a utilizar estas ações para reforçar esta influência, enquanto negoceia um acordo de paz a longo prazo com os EUA.
"Se fizermos um acordo com o Irão, não tenho a certeza que se venha a manter", disse ainda Trump em Ancara. "Achei-os pessoas muito desonrosas".
O presidente norte-americano, que ameaçou repetidamente intensificar a acção militar antes de recuar, frisou que não espera um regresso a uma guerra total e que não era claro se as negociações para se chegar a um acordo permanente iriam continuar.
c/agências