EUA. Lei na Geórgia restringe voto por correspondência

Os Republicanos no Estado da Geórgia tentam passar uma nova lei que vai restringir o voto por correio depois dos resultados das últimas presidenciais. Seránecessária uma explicação para aceder a este meio de voto. A decisão está a causar polémica devido ao papel que o voto por correspondência teve na vitória de Joe Biden nas eleições de novembro.

RTP /
Reuters

Os democratas denunciam que se trata de uma “forma moderna” de supressão do voto. No entanto, na Geórgia, estão a ser avançadas novas medidas que permitirão restringir o voto por correio, um meio muito usado nas últimas eleições nos Estados Unidos.

Esta medida já tem o voto favorável do Partido Republicano no Senado daquele Estado. A medida, chamada de SB 241, vai terminar com o voto por correspondência sem haver uma razão justificativa para tal. A lei do voto por correio foi aprovada pelo Próprio partido Republicano em 2005, na Geórgia.

Mais de um milhão de pessoas votaram por correspondência neste Estado. Com a nova lei, apenas maiores de 65 anos e cidadãos com justificações plausíveis vão poder recorrer a este método de votação, algo que já acontece em outros 16 Estados norte-americanos.

A nova medida vai pedir também dados de identificação aos cidadãos, tal como a carta de condução, quando for feito o pedido para votar por correspondência e quando o voto for colocado em urna. Os republicanos clamam que esta é uma maneira de combater a fraude eleitoral, apesar das inúmeras recontagens feitas no Estado da Geórgia depois da eleição presidencial de 2020 e de não haver provas de crime.

O senador republicano da Geórgia, Mike Dugan, declarou que o facto de não existirem provas concretas de fraude não significa que a medida não tenha pernas para andar. “Não podemos esperar pelos problemas para depois tentar resolvê-los. É preciso trabalhar de forma precoce”.

Dugan afirmou também que a nova medida pretende colocar menos pressões nos funcionários eleitorais locais e dar mais direitos aos votantes.

Esta opinião não é partilhada por Elena Parent, democrata, que disse que a justificação republicana não passa de fazer das mentiras de Donald Trump “uma arma de arremesso”.

“É uma maneira de nos dispormos a aceitar danos à democracia americana. Os números para parar esta medida podem não estar aqui nesta câmara. Mas garanto-vos que existem muitos milhares de cidadãos da Geórgia cujo espírito político está enojado com esta forma moderna de supressão do voto”.

Muitos democratas têm criticado a tentativa de suprimir o voto por correspondência e denunciam que é uma maneira de retirar o voto a minorias que votaram em 2020 e foram cruciais para a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump.

“Eu sei o que é racismo quando o vejo. Isto não é sobre o processo de votação. Isto é para suprimir o voto de um certo grupo de pessoas, como eu, e pessoas que se parecem comigo. É um assunto pessoal”, explicou Gavin Davenport, democrata.

A medida agora vai para a Câmara dos Representantes da Geórgia que na semana passada aprovou mais medidas de restrição ao voto por correspondência.

Stacey Abrams, antiga candidata ao Congresso pela Geórgia, já veio a público dizer que esta medida é um ataque ao voto e que deve defender-se a oportunidade da comunidade afro-americana para votar e decidir o futuro do país.

“Vimos níveis sem precedentes de votação e, por isso, todas as vias de acesso ao voto na Geórgia estão sob ataque”, declarou Adams.
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