EUA mantêm no mercado medicamento para diabetes com risco para cardíacos

A entidade que regula os medicamentos nos Estados Unidos decidiu segunda-feira manter no mercado um fármaco para os diabetes de tipo 2, à venda em Portugal, apesar de estudos revelarem que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

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Depois de ouvir um painel de especialistas em endocrinologia e segurança na aplicação dos medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA) votou 26-1 a favor da manutenção no mercado do medicamento "Avandia" (rosiglitazona), da empresa GlaxoSmithKline.

No entanto, os peritos aconselharam prudência na administração do medicamento a certos diabéticos que enfrentam maiores riscos cardíacos, nomeadamente a pacientes que já apresentem falhas de coração ou doenças cardiovasculares significativas.

O "Avandia", concebido para aumentar a sensibilidade à insulina de pessoas com diabetes de tipo 2, está à venda em Portugal.

"Recebemos a notícia muito positivamente porque estamos muito seguros de que o benefício é maior do que a retirada do mercado, desde que o medicamento seja devidamente utilizado e não prescrito a doentes com insuficiência cardíaca", disse à agência Lusa Filipa Paixão, directora clínica da GlaxoSmithKline em Portugal.

Filipa Paixão explicou que o medicamento tem aplicação diferente na Europa e nos Estados Unidos, onde a FDA é mais permissiva.

"Enquanto que na Europa o medicamento não pode ser prescrito a pessoas com doenças cardíacas, a FDA permitia que ele fosse prescrito nos níveis ligeiros de insuficiência cardíaca", explicou, salientando que segunda-feira a FDA fez uma reavaliação desta situação, acabando por manter a anterior situação.

Segundo um estudo da Universidade de East Anglia publicado na passada semana na revista científica Diabetes Care, a rosiglitazona aumenta em 40 por cento os riscos de o paciente vir a sofrer de insuficiência cardíaca.

Salienta ainda que uma em cada 50 pessoas que toma o Avandia sofrerá de insuficiência cardíaca em 26 meses e concluiu que os riscos são maiores se o paciente tomar também insulina.

Já em Maio, um outro estudo na revista médica New England Journal of Medicine associava o uso deste medicamento a um maior risco de enfarte de miocárdio.

Na altura, a Agência Europeia do Medicamento (AEM) deliberou manter o medicamento no mercado, mas recomendou precaução no caso de o doente ter já problemas cardiovasculares.

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