EUA. O multimilionário suspeito de tráfico sexual de menores e a alegada ilibação pelo secretário de Trump

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Epstein poderá passar até 45 anos na prisão se for dado como culpado
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Jeffrey Epstein, um multimilionário norte-americano que Donald Trump chegou a descrever como um “tipo fantástico”, foi detido por suspeitas de operar uma rede de tráfico sexual e de abusar de dezenas de adolescentes no início da década de 2000. O secretário do Trabalho dos EUA, que alegadamente garantiu imunidade a Epstein quando, há onze anos, o caso foi investigado pelo FBI, quebrou agora o silêncio para explicar as circunstâncias do seu envolvimento.

Na segunda-feira, procuradores norte-americanos tornaram pública a acusação contra Jeffrey Epstein de acordo com a qual este operou, entre 2002 e 2005, uma rede de tráfico com o propósito de abusar sexualmente de mais de 30 raparigas menores, tendo as mais novas 14 anos.

Segundo a acusação, Epstein tinha parceiros que enviava em busca de raparigas e as convencia a irem até à sua residência, pedindo-lhes então que lhe fizessem massagens enquanto estavam nuas ou seminuas, sendo que, em alguns dos casos, esses encontros “incluíam um ou mais atos sexuais” após os quais as adolescentes eram pagas.
Se as raparigas conseguissem recrutar outras para que se encontrassem com Epstein, eram pagas a dobrar.

“Habitualmente, Epstein masturbava-se durante estes encontros, pedindo às vítimas que lhe tocassem e tocando nelas, por vezes utilizando brinquedos sexuais”, lê-se na acusação, que frisa que o multimilionário tinha conhecimento da idade das vítimas.

No passado sábado, o homem de 66 anos foi detido num aeroporto em Nova Jérsia, quando regressava de Paris no seu jato privado. No mesmo dia foi passado um mandato de busca à sua mansão em Nova Iorque, onde foi encontrado “um vasto leque” de fotografias de raparigas e mulheres.
“Um tipo fantástico”
Epstein enfrenta acusações de tráfico sexual de menores e conspiração relacionada com tráfico sexual e, se for dado como culpado, poderá passar até 45 anos na prisão. Em tribunal na segunda-feira, declarou-se inocente face a ambas as acusações.

Jeffrey Epstein é especialista em finanças e possui uma fortuna de milhões de dólares. Desde cedo foi criando relações próximas com poderosas figuras norte-americanas, entre as quais Donald Trump ou Bill Clinton.

No início dos anos 2000, o atual Presidente dos Estados Unidos referiu-se ao multimilionário como um “tipo fantástico” que já conhecia “há 15 anos”. “É muito divertido estar com ele. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto como eu, e que muitas delas são mais novas. Não há dúvidas de que o Jeffrey aproveita a sua vida social”, referiu Trump.

No entanto, na terça-feira o Presidente referiu-se a Epstein como alguém que conhecia tão bem como “qualquer outra pessoa em Palm Beach”. “Tivemos uma discussão. Não falo com ele há 15 anos. Não era fã dele, isso posso garantir”, declarou.
Envolvimento de secretário de Trump
Há mais de uma década, o multimilionário conseguiu sair de um processo judicial semelhante ao que agora enfrenta, obtendo na altura um acordo com procuradores federais que o levou a dar-se como culpado apenas quanto a dois crimes de prostituição pelos quais cumpriu 13 meses de cadeia.

Teve ainda de indemnizar as vítimas e de se registar como predador sexual.

Entretanto, uma investigação do diário norte-americano Miami Herald debruçou-se sobre o envolvimento do então procurador Alexander Acosta, que é atualmente secretário do Trabalho dos Estados Unidos, no caso.

De acordo com o jornal, Acosta ofereceu há onze anos a Epstein “o acordo da sua vida”, numa altura em que o multimilionário estava a ser investigado pelo abuso de 36 vítimas menores de idade e poderia vir a enfrentar prisão perpétua.

O acordo alegadamente conseguido por Acosta “encerrou, essencialmente, uma investigação que o FBI tinha em curso” e concedeu imunidade a “quaisquer potenciais envolvidos” no caso. Um tribunal da Florida considerou que a lei foi quebrada ao ser aceite um acordo sem que as vítimas do caso fosse consultadas.
Acosta defende-se
Na quarta-feira, Alexander Acosta desvalorizou os pedidos de democratas que agora exigem a sua demissão e defendeu o acordo aprovado há dez anos a favor de Epstein.

“Sem o trabalho levado a cabo pelos procuradores na altura, Epstein ter-se-ia escapado”, justificou o secretário do Trabalho, frisando que “ele era e é um predador sexual”.

“O procurador distrital do condado de Palm Beach analisou as provas e recomendou apenas uma acusação”, explicou. “Essa acusação não teria resultado em qualquer tempo de prisão”.

“O objetivo era simples: colocar Epstein atrás das grades, garantir que ficava registado como criminoso sexual, fornecer às vítimas meios para obterem compensações e proteger o público dando-lhe a saber que um predador estava entre si”.
Trump defende Acosta
A opinião dos democratas mantém-se firme apesar destas explicações e continua a ser exigida a demissão de Acosta.

“É agora impossível que alguém tenha confiança na capacidade do secretário em liderar o departamento do Trabalho”, constatou o senador democrata Chuck Schumer. “Se ele recusar demitir-se, então o Presidente Trump deve demiti-lo”.

Alexander Acosta garante, porém, que a sua relação com o Presidente norte-americano “é extraordinária”.

Algo que se comprovou na segunda-feira, quando Trump defendeu o secretário e disse “sentir pena de toda a situação”, garantindo ainda que irá “acompanhá-la de perto”.

“Sinto-me mal pelo secretário Acosta porque sempre o conheci como sendo alguém que trabalha arduamente e que tem feito um bom trabalho”, declarou, acrescentando que a decisão tomada há dez anos “não deverá ter sido tomada apenas por ele mas por várias pessoas”.

Tópicos:

Donald Trump, FBI, Jeffrey Epstein, Multimilionário, Secretário do Trabalho, Tráfico sexual, EUA,

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