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EUA ponderam reconhecer controlo russo da Crimeia como parte de um acordo de paz

EUA ponderam reconhecer controlo russo da Crimeia como parte de um acordo de paz

O Governo de Donald Trump está a ponderar reconhecer a Crimeia como parte da Rússia num acordo de paz entre Moscovo e Kiev, segundo avançou a agência Bloomberg. A notícia surge numa altura de incerteza relativamente ao envolvimento dos EUA nas negociações de paz para a Ucrânia, depois de o presidente norte-americano ter ameaçado abandonar as negociações se não houver avanços entre as partes.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Kevin Lamarque - Reuters

A Bloomberg News avançou na sexta-feira, citando fontes familiarizadas com o assunto, que os Estados Unidos estão a ponderar reconhecer o controlo russo da região da Crimeia como parte de um acordo de paz mais amplo entre Moscovo e Kiev.

A proposta também estabeleceria um cessar-fogo nas linhas de frente da guerra, segundo a CNN.

A proposta terá sido partilhada com as autoridades europeias e ucranianas que se encontraram em Paris, na sexta-feira. No entanto, a Bloomberg sublinha que ainda nada está decidido. A Rússia anexou a Crimeia em 2014, após quase 97% da população local ter votado a favor da medida em referendo. A concessão da Península à Rússia será um sinal do presidente Trump para conseguir o cessar-fogo que pretende.

No entanto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem reiterado que ceder território está fora das condições para o acordo de paz.
EUA ameaçam abandonar negociações se não houver progressos
A possível concessão é o mais recente sinal de que o presidente Trump está ansioso por consolidar um acordo de cessar-fogo, depois de ter prometido acabar com a guerra na Ucrânia em 24 horas.

No entanto, um cessar-fogo parece ainda estar longe de acontecer. As negociações têm-se mostrado infrutíferas e na sexta-feira, Trump e o secretário de Estado Marco Rubio ameaçaram abandonar os esforços de mediação de paz se não houver avanços entre as partes.

"Queremos fazê-lo rapidamente", disse Trump aos jornalistas na Casa Branca. “Agora, se por algum motivo uma das duas partes dificultar muito, vamos simplesmente dizer: ‘Seus idiotas, vocês são tolos, são pessoas horríveis’, e vamos simplesmente ignorar. Mas espero que não tenhamos de o fazer”, declarou.

Momentos antes, Marco Rubio tinha afirmado que Moscovo e Kiev tinham apenas alguns dias para mostrar progressos ou Washington abandonaria o projeto. "Não vamos continuar com isto durante semanas e meses a fio. Portanto, temos de determinar muito rapidamente agora, e estou a falar de uma questão de dias, se isso será viável ou não nas próximas semanas", disse Rubio em Paris, depois de se reunir com os líderes europeus e ucranianos.

“Se for, alinhamos, se não for, temos outras prioridades para nos focarmos também”, acrescentou. A Ucrânia concordou com um cessar-fogo temporário total e acusou a Rússia de estar protelar um acordo para obter uma melhor posição nas negociações.

O enviado dos EUA a Moscovo, Steve Witkoff, manteve recentemente uma longa conversa com Putin que levou ao conhecimento da principal condição de Moscovo para assinar um acordo. O Kremlin reclama quatro províncias russófonas da Ucrânia mais a Crimeia.

Donald Trump fixou esta semana de Páscoa como o prazo limite para resposta de Moscovo às propostas de um cessar-fogo na Ucrânia apresentadas pelos Estados Unidos.

No mês passado, o presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou uma proposta conjunta dos EUA e da Ucrânia para uma pausa total e incondicional no conflito, enquanto o Kremlin condicionou uma trégua no Mar Negro à suspensão de certas sanções pelo Ocidente.

Questionado sobre se considera que o presidente russo o está a empatar e a manipular, Trump respondeu: “Espero que não”. “Ninguém em está a enganar, estou a tentar ajuda”, disse o presidente norte-americano.

c/agências
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