Mundo
Guerra no Médio Oriente
EUA prosseguem operação de busca de piloto desaparecido no Irão. O que está em causa?
Na sexta-feira, um caça F-15 dos Estados Unidos foi abatido pelo Irão e um dos pilotos foi resgatado com sucesso logo nas primeiras horas. As autoridades norte-americanas prosseguem este sábado as buscas pelo segundo militar, ainda em parte incerta, numa operação de resgate de enorme risco e que pode mudar o rumo do conflito.
De acordo com as autoridades norte-americanas, um dos pilotos que seguia no caça F-15 foi resgatado logo na sexta-feira. O outro piloto continua em paradeiro desconhecido.
Também na sexta-feira, um helicóptero Black Hawk envolvido na operação de resgate foi atingido por forças iranianas, mas conseguiu escapar em segurança. Uma outra aeronave norte-americana, um A-10 Warthog, despenhou-se perto do Estreito de Ormuz, tendo o piloto dessa aeronave sido resgatado com sucesso.
O momento atual, com o abate destas aeronaves e o desaparecimento de um militar norte-americano, poderá ser decisivo para determinar os próximos passos de um conflito que se iniciou há cinco semanas com o ataque dos Estados Unidos e Israel.
Logo na sexta-feira, a televisão iraniana emitiu uma declaração em que apelava à captura do “piloto ou pilotos do inimigo”. Os meios de comunicação iranianos pedem que o piloto seja entregue às forças de segurança “com vida” e oferecem uma recompensa de cerca de 66 mil dólares (cerca de 52 mil euros).
Não se sabe ao certo onde desapareceu o piloto, mas governador da província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sul do Irão, afirmou que “a prioridade” era “capturar” qualquer tripulante norte-americano com vida.
“Um momento repleto de riscos”
Numa declaração através da rede social X, o presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, provocou os Estados Unidos logo na sexta-feira, considerando que a “brilhante guerra sem estratégia que eles [Estados Unidos] começaram agora foi diminuída de uma ‘mudança de regime’ para ‘Ei! Alguém consegue encontrar os nossos pilotos? Por favor?’”.
A captura de um militar norte-americano pelo Irão pode significar uma nova crise no conflito que reaviva a memória da crise de reféns de 1979, logo após a fundação da República Islâmica. Na altura, o regime iraniano manteve 52 norte-americanos em cativeiro na Embaixada norte-americana de Teerão por 444 dias.
Na altura, o então empresário Donald Trump afirmava que a crise de reféns se tratava de um episódio “patético” e mal gerido pela Administração Carter.
“Que este país fique de braços cruzados e permita que um país como o Irão mantenha os nossos reféns, na minha opinião é um horror, e não creio que fizessem isso a outros países”, afirmou numa entrevista em 1980.
A correspondente-chefe internacional da BBC, Lyse Doucet, escreve que “este é um momento repleto de riscos”.
“É uma operação arriscada dos Estados Unidos resgatar o tripulante desaparecido, mesmo que todos se tenham preparado durante anos para um momento como este”, alerta.
Para além do risco para os militares envolvidos no resgate, há também os “perigos políticos”, com a possibilidade de entregar ao Irão um prisioneiro de guerra como uma poderosa moeda de troca.
“Se o Irão encontrar este aviador e este for exibido na TV, será uma vitória de propaganda para o Irão e uma humilhação política – e uma preocupação – para os EUA”, escreve a jornalista.
Yeganeh Torbati, correspondente do New York Times no Irão, escreve que o país tem “utilizado repetidamente a tomada de reféns como tática contra os seus adversários”, tendo detido norte-americanos, europeus e outros ao longo dos anos “mantendo-os detidos por vezes durante anos antes de os libertar, frequentemente em troca de dinheiro ou da libertação dos seus próprios cidadãos detidos no estrangeiro”.Como decorre uma operação de resgate?
Neste cenário, a operação de busca e resgate do piloto norte-americano traz enormes riscos para os Estados Unidos, até porque coloca em risco a vida de mais militares num território hostil e em guerra desde o ataque de 28 de fevereiro.
Cedric Leighton, analista de questões militares da CNN Internacional, explica que quando um militar é obrigado a abandonar uma aeronave, recorre a um banco ejetável que é desenhado para os retirar do caça com recurso a carga explosiva. O militar deve depois procurar fazer uma aterragem segura com recurso a um paraquedas.
No solo, torna-se decisivo o treino “SERE” (Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga), desenhado precisamente para que os pilotos possam resistir até um resgate vem sucedido em situações como a que ocorreu na sexta-feira.
"O treino de sobrevivência é um aspeto fundamental na formação de tripulantes aéreos na Força Aérea dos EUA e noutros ramos”, explica o perito.
Para as forças militares, as missões de busca e salvamento (Combat, search and rescue, CSAR, na sigla em inglês) estão entre as mais complexas e sensíveis para as quais as forças norte-americanas ou aliadas se preparam, aponta a BBC.
Nos Estados Unidos, as unidades de elite da Força Aérea são especialmente treinadas para este tipo de missões e são frequentemente mobilizadas preventivamente perto de áreas de conflito onde se podem perder aeronaves.
A missão é levada a cabo geralmente em helicópteros, com recurso a aeronaves de reabastecimento em voo e outras aeronaves militares. De acordo com um antigo comandante de um esquadrão de paraquedistas, uma operação de resgate como a que decorre no Irão deverá envolver pelo menos 24 paraquedistas.
Chegada a terra, a equipa de resgate tem como prioridade contactar o tripulante desaparecido e, depois de o localizar, os paraquedistas podem prestar socorro médico e escapar para um local onde possam ser resgatados.
"Angustiante e extremamente perigoso é um eufemismo", disse o ex-comandante à CBS News, citado pela BBC, que designa os militares capazes de participar nestas missões como os "canivetes suíços da Força Aérea".
Também na sexta-feira, um helicóptero Black Hawk envolvido na operação de resgate foi atingido por forças iranianas, mas conseguiu escapar em segurança. Uma outra aeronave norte-americana, um A-10 Warthog, despenhou-se perto do Estreito de Ormuz, tendo o piloto dessa aeronave sido resgatado com sucesso.
O momento atual, com o abate destas aeronaves e o desaparecimento de um militar norte-americano, poderá ser decisivo para determinar os próximos passos de um conflito que se iniciou há cinco semanas com o ataque dos Estados Unidos e Israel.
Logo na sexta-feira, a televisão iraniana emitiu uma declaração em que apelava à captura do “piloto ou pilotos do inimigo”. Os meios de comunicação iranianos pedem que o piloto seja entregue às forças de segurança “com vida” e oferecem uma recompensa de cerca de 66 mil dólares (cerca de 52 mil euros).
Não se sabe ao certo onde desapareceu o piloto, mas governador da província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sul do Irão, afirmou que “a prioridade” era “capturar” qualquer tripulante norte-americano com vida.
“Um momento repleto de riscos”
Numa declaração através da rede social X, o presidente do Parlamento Iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, provocou os Estados Unidos logo na sexta-feira, considerando que a “brilhante guerra sem estratégia que eles [Estados Unidos] começaram agora foi diminuída de uma ‘mudança de regime’ para ‘Ei! Alguém consegue encontrar os nossos pilotos? Por favor?’”.
A captura de um militar norte-americano pelo Irão pode significar uma nova crise no conflito que reaviva a memória da crise de reféns de 1979, logo após a fundação da República Islâmica. Na altura, o regime iraniano manteve 52 norte-americanos em cativeiro na Embaixada norte-americana de Teerão por 444 dias.
Na altura, o então empresário Donald Trump afirmava que a crise de reféns se tratava de um episódio “patético” e mal gerido pela Administração Carter.
“Que este país fique de braços cruzados e permita que um país como o Irão mantenha os nossos reféns, na minha opinião é um horror, e não creio que fizessem isso a outros países”, afirmou numa entrevista em 1980.
A correspondente-chefe internacional da BBC, Lyse Doucet, escreve que “este é um momento repleto de riscos”.
“É uma operação arriscada dos Estados Unidos resgatar o tripulante desaparecido, mesmo que todos se tenham preparado durante anos para um momento como este”, alerta.
Para além do risco para os militares envolvidos no resgate, há também os “perigos políticos”, com a possibilidade de entregar ao Irão um prisioneiro de guerra como uma poderosa moeda de troca.
“Se o Irão encontrar este aviador e este for exibido na TV, será uma vitória de propaganda para o Irão e uma humilhação política – e uma preocupação – para os EUA”, escreve a jornalista.
Yeganeh Torbati, correspondente do New York Times no Irão, escreve que o país tem “utilizado repetidamente a tomada de reféns como tática contra os seus adversários”, tendo detido norte-americanos, europeus e outros ao longo dos anos “mantendo-os detidos por vezes durante anos antes de os libertar, frequentemente em troca de dinheiro ou da libertação dos seus próprios cidadãos detidos no estrangeiro”.Como decorre uma operação de resgate?
Neste cenário, a operação de busca e resgate do piloto norte-americano traz enormes riscos para os Estados Unidos, até porque coloca em risco a vida de mais militares num território hostil e em guerra desde o ataque de 28 de fevereiro.
Cedric Leighton, analista de questões militares da CNN Internacional, explica que quando um militar é obrigado a abandonar uma aeronave, recorre a um banco ejetável que é desenhado para os retirar do caça com recurso a carga explosiva. O militar deve depois procurar fazer uma aterragem segura com recurso a um paraquedas.
No solo, torna-se decisivo o treino “SERE” (Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga), desenhado precisamente para que os pilotos possam resistir até um resgate vem sucedido em situações como a que ocorreu na sexta-feira.
"O treino de sobrevivência é um aspeto fundamental na formação de tripulantes aéreos na Força Aérea dos EUA e noutros ramos”, explica o perito.
Para as forças militares, as missões de busca e salvamento (Combat, search and rescue, CSAR, na sigla em inglês) estão entre as mais complexas e sensíveis para as quais as forças norte-americanas ou aliadas se preparam, aponta a BBC.
Nos Estados Unidos, as unidades de elite da Força Aérea são especialmente treinadas para este tipo de missões e são frequentemente mobilizadas preventivamente perto de áreas de conflito onde se podem perder aeronaves.
A missão é levada a cabo geralmente em helicópteros, com recurso a aeronaves de reabastecimento em voo e outras aeronaves militares. De acordo com um antigo comandante de um esquadrão de paraquedistas, uma operação de resgate como a que decorre no Irão deverá envolver pelo menos 24 paraquedistas.
Chegada a terra, a equipa de resgate tem como prioridade contactar o tripulante desaparecido e, depois de o localizar, os paraquedistas podem prestar socorro médico e escapar para um local onde possam ser resgatados.
"Angustiante e extremamente perigoso é um eufemismo", disse o ex-comandante à CBS News, citado pela BBC, que designa os militares capazes de participar nestas missões como os "canivetes suíços da Força Aérea".