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EUA reforçam tropas no Haiti para travar insegurança

EUA reforçam tropas no Haiti para travar insegurança

O agravamento da insegurança nas ruas devastadas da capital do Haiti, onde se multiplicam as pilhagens e os confrontos, levou esta segunda-feira os Estados Unidos a reforçarem o contingente militar destacado para o país após o sismo de há seis dias. Centenas de pessoas tentaram forçar uma das entradas do aeroporto internacional de Port-au-Prince.

RTP /
Um efectivo da polícia jordana procura afastar uma multidão de haitianos de um dos portões do aeroporto de Port-au-Prince Tiago Petinga, Lusa

Seis dias depois do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter que reduziu Port-au-Prince a escombros, a cidade vive um clima de instabilidade e de insegurança em crescendo. O desespero de dezenas de milhares de haitianos privados de alimentos, água potável ou medicamentos é agora o combustível de sucessivos confrontos nas ruas preenchidas de destroços e corpos aprisionados entre cimento e ferro. Grupos de assaltantes percorrem o que resta das lojas e mercados de Port-au-Prince, travando batalhas urbanas com facas, martelos, picadores de gelo e mesmo pedras. Débil, a polícia procura travar-lhes a marcha.

As últimas informações dão conta de 30 norte-americanos feridos quando distribuíam ajuda aos haitianos. Pelo menos um  cidadão norte-americano morreu em circunstâncias ainda desconhecidas.

Perto do aeroporto de Port-au-Prince, o coração de uma operação humanitária que continua a debater-se com a dimensão ciclópica do desastre, centenas de haitianos tentaram, nas últimas horas, forçar a entrada num dos portões de acesso à infra-estrutura. O embate com as forças de segurança foi inevitável, como testemunhou a enviada da RTP ao Haiti, Rosário Salgueiro.

"Centenas de pessoas têm-se dirigido para as imediações do aeroporto, depois de saberem que tinha havido um reforço das tropas norte-americanas. Eles consideram que os norte-americanos lhes podem dar emprego, comida", relatava ao início da tarde a jornalista da RTP, a partir de Port-au-Prince.

"Centenas de pessoas concentrara-se num dos portões. Gritavam por emprego, gritavam por comida. As polícias norte-americana, jordana e paquistanesa intervieram com gás lacrimogéneo e balas de borracha. A população recua, mas, passados poucos minutos, regressa à entrada de um dos muitos portões do aeroporto do Port-au-Prince. A situação está muito tensa. Foi chamado um reforço de cinco camiões com militares para tentarem montar um cordão de segurança", descreveu.

"O Haiti precisa de ajuda"

"Não temos capacidade para enfrentar esta situação. O Haiti precisa de ajuda. Os americanos são bem-vindos. Mas onde estão eles? Precisamos deles aqui nas ruas, ao nosso lado". O lamento, citado pela agência Reuters, pertence a Dorsainvil Robenson, um dos poucos polícias haitianos que procuram pôr cobro às pilhagens e à violência em Port-au-Prince.

O objectivo das chefias militares norte-americanas é estacionar um contingente de dez mil operacionais em território haitiano para ajudar a proteger as operações de ajuda humanitária que tardam para milhares de pessoas dispersas pelas ruas de Port-au-Prince e de outras cidades fortemente atingidas pelo terramoto, a Oeste da capital: Gressier, Léogâne, Petit Goâve e Grand Gôave.

Washington destacou esta segunda-feira mais 2.200 efectivos dos Marines, acompanhados de máquinas pesadas, escavadoras, medicamentos e helicópteros.

"A situação é muito dura no terreno, incluindo para as agências e os países que se apressam para ajudar. Até os meios mínimos de sobrevivência para as equipas são um problema", reconheceu em Genebra a directora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan.

O esforço de socorro ao país move-se em várias frentes. O Canadá, por exemplo, vai acolher, a 25 de Janeiro, um encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros para avaliar as necessidades do Haiti. E o próprio Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, já veio sugerir que os sobreviventes do sismo possam ser realojados em África, "a terra dos seus antepassados". Porém, quase uma semana depois do abalo, a ajuda só agora começa a ser distribuída.

"A ajuda começa, pouco a pouco, a chegar. Estamos a acelerar o ritmo", explicou à France Presse Elisabeth Byrs, porta-voz do Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU. Até ao momento, foram distribuídas 105 mil rações de alimentos. Foi também montado um primeiro campo para acolher 100 mil desalojados.

Aparato militar dos EUA gera desconfianças

A primeira voz a erguer-se contra a componente militar da intervenção dos Estados Unidos no Haiti foi a de Hugo Chávez. Perante o aumento do dispositivo norte-americano naquele país, o Presidente da Venezuela acusou Washington de estar "a ocupar o Haiti às escondidas".

Contudo, as críticas são também audíveis na Europa. Numa altura em que as instituições e os países-membros da União Europeia colocam em marcha um pacote de ajuda de emergência e a longo prazo estimado em 400 milhões de euros, o ministro francês da Cooperação sustenta que as Nações Unidas devem clarificar a quem cabe a coordenação dos esforços humanitários no Haiti. A ajuda, disse Alain Joyandet, é para acudir às vítimas, não para "ocupar" um país.

Na semana passada, as forças dos Estados Unidos impediram um avião francês que transportava um hospital de campanha de aterrar em Port-au-Prince. O ministro francês da Cooperação protestou de imediato. O avião aterraria no dia seguinte. No sábado, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, garantia que os Estados Unidos não tinham qualquer intenção de "suplantar" as autoridades haitianas. Na prática, porém, o aeroporto da capital do Haiti continua a ser gerido pelos norte-americanos.

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