EUA sancionam chineses por "assimilação forçada" de crianças tibetanas

Washington impôs, esta terça-feira, novas sanções contra os dirigentes chineses que prosseguem uma política de "assimilação forçada". Segundo os relatores especiais da ONU, mais de um milhão de jovens tibetanos foram separados das suas famílias.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Cartaz assinala os 70 anos do domínio chinês sobre a Região Autónoma do Tibete, na Praça do Palácio de Potala, em Lhasa, na Região Autónoma do Tibete, China, a 1 de junho de 2021. Martin Pollard - Reuters (arquivo)

Apesar do recente reatamento do diálogo entre os altos representantes das duas grandes potências mundiais, os Estados Unidos tomaram uma série de medidas contra Pequim.

Antony Blinken, o secretário de Estado norte-americano, anunciou que os EUA deixarão de conceder vistos, a partir desta terça-feira, 22 de agosto, aos chineses responsáveis pelo sistema de internatos para onde são enviadas à força milhares de crianças tibetanas separadas das suas famílias. 

A proibição aplica-se aos atuais e antigos funcionários chineses envolvidos na política tibetana da China, confirmou um porta-voz do Departamento de Estado.

"Exortamos as autoridades chinesas a deixar de enviar à força crianças tibetanas para internatos estatais e a pôr fim às políticas de assimilação forçada no Tibete e noutras partes da China", afirmou Antony Blinken, num comunicado.
O objetivo das políticas chinesas é “eliminar as tradições linguísticas, culturais e religiosas únicas do Tibete entre as gerações mais jovens de tibetanos", pode ler-se no comunicado.

Identidade tibetana ameaçada

Com base num relatório das Nações Unidas, os Estados Unidos acusam a China de “genocídio” contra uma minoria de Xinjiang, no noroeste do país, os uigures. Milhares de jovens tibetanos têm sido sujeitos a trabalhos forçados e internados em campos contra a própria vontade, de acordo com as autoridades americanas e organizações de defesa dos Direitos Humanos.

Os peritos das Nações Unidas, mencionados por Blinken no seu comunicado, revelam que o programa terá sido concebido pelas autoridades chinesas para integrar à força as crianças tibetanas na cultura da maioria Han, o maior grupo étnico do país. Sendo obrigadas a aprender o chinês mandarim e a apagar a sua cultura, desprezando a língua, a história e a cultura do Tibete.

Em abril, outros relatores especiais da ONU, acusaram Pequim de obrigar milhares de tibetanos a seguir programas de “formação profissional” que põe em causa a sua identidade e os expõe a trabalho forçado.

A China, que administra o Tibete desde a década de 1950, tem sido acusada de medidas repressivas e de tortura contra o povo tibetano.

c/agência France Presse
PUB