EUA são farol, mas Brasil tem de ser pragmático na diplomacia - vice-PR brasileiro
O vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, afirmou hoje que o Brasil mantém os EUA como prioridade diplomática, mas considerou que a diplomacia nacional tem de ser pragmática e flexível na relação com outros países.
Em entrevista à agência Lusa, à margem da XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre em Luanda, Hamilton Mourão não falou numa mudança estratégica na diplomacia, após a derrota de Trump, grande aliado do PR brasileiro Jair Bolsonaro, nas eleições dos EUA, mas disse que as relações internacionais devem ter em conta "o posicionamento geopolítico" do Brasil.
"O Brasil tem de agir com pragmatismo e com flexibilidade. Nós jamais deixaremos de reconhecer os Estados Unidos da América como um farol da democracia no mundo ocidental, principalmente desses valores que caraterizam a nossa civilização", afirmou.
No entanto, é preciso "olhar as outras nações que têm também os seus interesses e os seus anseios", disse, dando o exemplo da China, uma "potência emergente que desafia [...] a hegemonia americana principalmente na questão económica".
Apesar de os Estados Unidos constituírem, "a maior potência económica, militar e tecnológica do mundo", o Brasil tem "um relacionamento muito grande com a China".
Pequim "tem uma questão-chave que é não permitir que haja insegurança alimentar". Por isso, o Brasil, que "é um grande provedor de alimentos", tem de "ter esse pragmatismo, essa flexibilidade" para procurar atender os seus interesses, referiu.
Nas relações diplomáticas, existe "sempre aquela posição fundamental que é a busca do benefício mútuo", para que "ambas as nações saiam satisfeitas do seu relacionamento", concluiu Hamilton Mourão.