EUA sugerem quebra sigilo bancário do presidente Banco Central do Brasil
O Ministério Público norte-americano enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro uma carta a sugerir a quebra do sigilo bancário no Brasil do presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, revelou à Lusa fonte do STF.
O sigilo bancário de Henrique Meirelles nos Estados Unidos já foi quebrado no âmbito de um processo no qual estão envolvidas pessoas físicas e empresas brasileiras que teriam enviado irregularmente dólares do Brasil para o exterior.
Informações divulgadas hoje pela Folha Online indicavam que houve um pedido da Promotoria Pública de Nova Iorque para que a Justiça brasileira determinasse a quebra do sigilo de Meirelles no Brasil com o objectivo de esclarecer dúvidas no inquérito para apurar se houve crime de lavagem de dinheiro nos EUA.
Em declarações à Agência Lusa, fonte da assessoria de comunicação do STF esclareceu, no entanto, que "não houve pedido formal" do MP norte-americano para que o sigilo bancário do presidente do Banco Central fosse quebrado no Brasil, o que configuraria uma interferência indevida de um órgão estrangeiro no Poder Judicial brasileiro.
A assessoria do STF acrescentou que a "carta" do Ministério Público norte-americano com a "sugestão" da quebra do sigilo foi encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Marco Aurélio, relator de um processo no Brasil que investiga o presidente do Banco Central brasileiro e suas empresas.
O inquérito contra Henrique Meirelles no Brasil para apurar a prática de crimes fiscais, eleitorais e de evasão de divisas foi aberto em Maio.
O processo está a tramitar no STF graças a uma medida provisória assinada pelo presidente Lula da Silva em Agosto de 2004 que deu a Meirelles o status de ministro de Estado, após ele ter sido envolvido em denúncias de irregularidades fiscais.
Com a aprovação da medida provisória, que tem força de lei, pelo Congresso Nacional, em Dezembro último, Meirelles só pode ser processado no STF.
De acordo com informações divulgadas no ano passado pela imprensa brasileira, Henrique Meirelles teria depositado, em 2002, cerca de 50 mil dólares numa conta do banco Goldman Sachs pertencente a indivíduos que estariam sob investigação nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro.
O presidente do Banco Central do Brasil nega que tenha cometido irregularidades e sustenta que sua vida é pautada pela "lei e pela ética".
Segundo a assessoria do STF, a carta do MP norte-americano sugerindo a quebra do sigilo bancário de Henrique Meirelles no Brasil foi apensa ao processo que tramita no Brasil contra o presidente do Banco Central.
CMC Lusa/Fim