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Eurodeputados de quatro grupos pedem suspensão de relações comerciais com Israel

Eurodeputados de quatro grupos pedem suspensão de relações comerciais com Israel

Quarenta eurodeputados de quatro grupos políticos, incluindo portugueses, instaram hoje Bruxelas a tomar medidas contra Israel no contexto da situação em Gaza e na Cisjordânia, pedindo a suspensão das relações comerciais, em resposta às "constantes violações do direito internacional".

Lusa /

Os deputados do Parlamento Europeu apelaram ainda para "um cessar-fogo imediato e a libertação de todos os reféns israelitas", bem como para a "aplicação da solução de dois Estados, como única forma viável de alcançar uma paz justa e duradoura" entre Israel e os palestinianos, e o "total restabelecimento" da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) como "organismo legítimo" responsável pela distribuição de ajuda humanitária.

Numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à Alta Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Kaja Kallas, os eurodeputados apelaram também para a "imposição de medidas abrangentes que visem todos os colonos israelitas, especialmente os violentos, incluindo a revogação da dupla cidadania, quando aplicável, a proibição de viajar e o congelamento de bens".

"Tais medidas são a única forma de acabar com a violência institucionalizada perpetrada pelos colonos. Estamos a assistir ativamente a uma campanha estatal em grande escala que visa a aniquilação do povo palestiniano, que vai desde a fome e o bombardeamento de Gaza até à perseguição sistemática e à desapropriação das comunidades da Cisjordânia pelos colonos ilegais", sustentaram, acrescentando que Bruxelas "deve agir de forma decidida, defendendo os seus valores fundamentais e cumprindo as suas obrigações nos termos do Direito Internacional".

A missiva, uma iniciativa da eurodeputada socialista espanhola de origem libanesa Hana Jalloul Muro e assinada por eurodeputados dos grupos Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Os Verdes, Esquerda e Renovar a Europa, expressa a sua "profunda condenação pelo acentuado aumento da violência perpetrada pelos colonos israelitas na Cisjordânia", depois de, nos últimos dias, um deles ter assassinado a tiro Odeh Hadalin, um destacado ativista que ajudou a filmar o documentário vencedor de um Óscar "No Other Land".

Entre os signatários, há quatro eurodeputados socialistas portugueses: Marta Temido, Bruno Gonçalves, Carla Tavares e André Franqueira Rodrigues.

"A escalada dos ataques de colonos israelitas ocorre no contexto de decisões políticas recentes que incentivam explicitamente tais ações. A 23 de julho de 2025, o Knesset - o parlamento israelita - aprovou uma moção (não-vinculativa) que apoiava a anexação da Cisjordânia", referiu o mesmo texto.

Este recorda também que, desde 07 de outubro de 2023, mais de 1.000 palestinianos foram mortos e mais de 7.000 ficaram feridos na Cisjordânia, ao passo que na Faixa de Gaza "o uso da ajuda humanitária como arma causou a fome em massa e a morte de mais de 60.000 pessoas", no "mesmo período em que 1.139 israelitas perderam a vida".

Bruxelas precisa de uma maioria de 15 Estados-membros que representem pelo menos 65% da população do bloco comunitário europeu para conseguir aprovar qualquer medida e, neste momento, não tem consenso suficiente para o fazer.

Um número significativo de Estados-membros, liderado pela Alemanha, tem-se esquivado até agora a apoiar a aprovação de medidas, enquanto aguarda uma análise da evolução da situação, esperando que Israel permite o aumento da distribuição de ajuda aos palestinianos, em cumprimento do acordo humanitário com a UE.

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