Eurodeputados portugueses divididos na reacção ao voto "Não" dos irlandeses
Bruxelas, 13 Jun (Lusa) - Os eurodeputados portugueses dividem-se na reacção ao previsível "chumbo" irlandês do Tratado de Lisboa, lamentando o resultado, lembrando a necessidade de aceitar as regras do jogo ou mesmo felicitando os eleitores da Irlanda.
"Só posso lamentar que os irlandeses, que são dos que mais ganharam com a solidariedade da União Europeia, tenham decidido neste sentido e não percebam a importância de uma Europa coesa e unida", disse à Lusa a líder do grupo socialista português, Edite Estrela, numa opinião partilhada pelo seu homólogo social-democrata, Carlos Coelho.
A marcação de um novo referendo é a solução apontada por Edite Estrela para resolver esta nova situação de impasse na União Europeia (UE).
"O Tratado de Lisboa representou a saída da UE da crise em que esteve mergulhada", adiantou a eurodeputada socialista.
A UE "não pode estar novamente ocupada com problemas institucionais, isso é muito negativo para o seu futuro".
Carlos Coelho, por seu lado, também sublinha que, a confirmar-se, a vitória do "Não" no referendo de quinta-feira ao Tratado de Lisboa, "continuam os problemas institucionais na UE".
Como possível solução, o eurodeputado social-democrata sugere que a Irlanda identifique que pontos do tratado não lhe convêm e "negoceie cláusulas de exclusão, para que a sua vontade não impeça a de muitos".
"Quatro milhões decidem por 500 milhões", salientou.
Já o líder da delegação do CDS-PP, Luís Queiró, lembrou que é importante "respeitar as regras do jogo, conhecidas de todos".
O eurodeputado salientou ser preciso "respeitar a vontade expressa pelos eleitores irlandeses", lembrando ainda que a UE não vai parar: "o Tratado de Nice continua em vigor, a UE continua a funcionar com as regras em vigor".
Já a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo fez questão de felicitar o povo irlandês, "que soube resistir à pressão" em torno do "Sim".
"O Tratado de Lisboa acabou, foi para o caixote do lixo, como o projecto de constituição que tentou ressuscitar", disse Ilda Figueiredo.
A eurodeputada do PCP referiu também que "é necessário arrepiar caminho destas políticas neo-liberais, federalistas e militaristas".
O eurodeputado do Bloco de Esquerda, Miguel Portas, reservou a apresentação da sua posição para uma conferência de imprensa, a realizar em Lisboa.
O Tratado de Lisboa foi assinado pelos líderes dos 27 há exactamente seis meses, na capital portuguesa, e substitui o projecto de Constituição Europeia, rejeitada em 2005 pelos franceses e holandeses, em referendos.
Para entrar em vigor a partir de 01 de Janeiro de 2009, o Tratado Reformador da UE tem que ser ratificado por todos os Estados-membros, tendo sido aprovado por 18 e agora rejeitado, em referendo, pela Irlanda.