Europa bate recorde com a remoção de mais de 500 barreiras fluviais num ano, Portugal no fim da tabela

Os dados são do Dam Removal Europe e revelam que, em 2024, foram removidas 542 barreiras dos rios europeus, o que corresponde a mais de 2.900 quilómetros de rios que voltaram a estar conectados.

Joana Bénard da Costa - RTP /
RTP

A remoção destas barreiras, na sua maioria obsoletas, vem contribuir para a resiliência climática, para melhorar a segurança hídrica e alimentar e para reverter a perda de natureza. Trata-se de um aumento de 11 por cento em relação ao ano anterior.

O relatório divulgado esta quinta-feira aponta os países que mais se destacaram: a Finlândia surge na liderança,com pelo menos 138 remoções de barreiras, seguida por França, Espanha e Suécia.

Portugal, pelo contrário, está nos últimos lugares da tabela, com apenas uma barreira removida, a barreira de Perofilho.Em comunicado, a World Wide Fund for Nature sublinha que Portugal permanece “inamovível” perante esta tendência europeia, “sendo desconhecido o número de barreiras que o Governo tem removido”.


"Rios contínuos e em bom estado são fundamentais para a adaptação à crise climática e para a recuperação da biodiversidade", alerta Manuela Oliveira, coordenadora de água da WWF Portugal, uma vez que a fragmentação dos rios europeus altera o fluxo natural de água, diminui a resiliência dos ecossistemas e contribui para o declínio nas populações de espécies de água doce.

Apesar do mau desempenho a nível nacional, a WWF congratula-se com os dados agora divulgados a nível europeu, afirmando que os números “evidenciam o apoio crescente à remoção de barreiras artificiais, nomeadamente as obsoletas, como ferramenta para reconectar e restaurar os rios para as pessoas e a natureza em toda a Europa, seguindo uma das metas da Lei Europeia do Restauro da Natureza de alcançar pelo menos 25.000 quilómetros de rios livres até 2030”.
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