Ex-chefe da diplomacia de Saddam Hussein terá espiado para CIA e França

O último ministro dos Negócios Estrangeiros de Saddam Hussein, Naji Sabri, foi recrutado pelos serviços secretos franceses, que o partilharam, em seguida, com a CIA (serviços secretos externos norte-americanos), escreve o Washington Post.

Agência LUSA /

O diário norte-americano, que se baseia nas confidências de antigos membros da CIA, precisa que o ex-chefe da diplomacia iraquiana forneceu, durante seis meses antes do início da intervenção militar, informações aos Estados Unidos sobre os esforços efectuados por Saddam Hussein para adquirir armas de destruição maciça.

Apesar de representantes da CIA terem tido contactos directos informais com Naji Sabri, este último comunicava com os serviços secretos franceses e norte-americanos através de um intermediário de um país terceiro.

Segundo uma fonte do Post que solicitou o anonimato, Sabri não foi remunerado pela CIA.

"Nunca lhe pagámos. O que ele queria nunca foi, aliás, claro", afirmou a fonte.

Sabri, que não foi preso após a queda de Saddam Hussein, desmentiu a partir de Amã, onde actualmente vive, as informações inicialmente reveladas pela estação televisiva NBC que o apresentavam como um agente da CIA.

O ex-ministro iraquiano declarou ter "desafiado" a NBC a "apresentar uma só prova dessa história inventada de raiz" e afirmou ter "iniciado contactos com advogados para apresentar queixa contra a estação pela sua tentativa gratuita de atentar contra a sua reputação".

De acordo com o Washington Post, Naji Sabri, que foi nomeado para a pasta dos Negócios Estrangeiros em 2001, terá feito saber à CIA que Saddam Hussein queria ter armas nucleares mas que não tinha um programa activo para satisfazer essa ambição e que também não possuía armas biológicas, apesar de existir investigação nesse domínio.

Em matéria de armas químicas, Sabri terá afirmado, ainda segundo as mesmas fontes, que o Iraque dispunha de alguns "stocks" mas que estes tinham sido confiados a tribos leais, em vez de serem colocados sob controlo militar.

Ainda de acordo com as fontes do Post, os Estados Unidos tinham apenas uma confiança muito reduzida nas informações fornecidas pelo ministro e pretendiam sobretudo convencê-lo a sair do Governo iraquiano, mas Sabri, que pertencia a uma grande família iraquiana, afastou totalmente tal hipótese.

O jornal recorda que em Fevereiro de 2004 o então director da CIA, Georges Tenet, declarou que os Estados Unidos obtiveram informações de uma fonte "com acesso directo a Saddam Hussein e ao seu círculo restrito" e que esta revelou que o ex-ditador queria ter armas nucleares, que tinha armazenado armas químicas, mas que os cientistas iraquianos não tinham avançado muito em matéria de armas biológicas.

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