Mundo
Ex-comandante da guerrilha eleito presidente de El Salvador
Com uma diferença tangencial, a esquerda salvadorenha ganhou a eleição presidencial. O novo presidente, Salvador Sánchez Cerén, foi um dos cinco comandantes do Estado-Maior da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN) na guerra civil que dividiu o país durante 13 anos. A direita ainda não reconheceu a derrota.
A vitória eleitoral de Sanchez Cerén fora anunciada no domingo, após uma disputa renhida, e com uma vantagem de escassos milhares de votos. A direita apoiou-se na exiguidade da diferença para impugnar o resultado e o Supremo Tribunal Eleitoral procedeu a uma recontagem de votos, que hoje redundou na confirmação da vitória de Cerén.
Está ainda pendente um recurso do partido de direita, ARENA, que o tribunal irá analisar. O candidato derrotado, Norman Quijano, e os seus apoiantes alegaram irregularidades, como a suposta votação duplicada de uns 20.000 militantes da FMLN, e têm-se manifestado violentamente contra a Comissão Eleitoral. Mas os observadores internacionais presentes às eleições negaram a ocorrência de irregularidades.
A obstinação da ARENA em impugnar os resultados eleitorais confirmados na recontagem levanta interrogações sobre a estabilidade política do país no futuro imediato. ARENA e FMLN tinham-se enfrentado de armas na mão entre 1979 e 1992, numa guerra civil que causou mais de 60.000 mortos, um milhão de desalojados e um milhão de exilados.
Após frequentes confrontos armados em 1979, o país entrou verdadeiramente numa situação de guerra com o assassínio do arcebispo Óscar Romero pelos "esquadrões da morte" do major Roberto D'Aubuisson, ligado à ARENA. Entre os líderes políticos assassinados pela direita, contou-se também Juan Chacón, raptado durante uma conferência de imprensa.
Durante todo o conflito, os Estados Unidos apoiaram intensamente a direita salvadorenha com armas, dinheiro, informações e conselheiros militares. Os Estados Unidos receavam a repetição de um desfecho como o da revolução sandinista que em 1979 derrubara o ditador nicaraguense Anastasio Somoza.
A guerra estendeu-se ao longo de três presidências norte-americanas - Reagan, Carter e Bush pai -, que invariavelmente apoiaram a actividade de D'Aubuisson. No entanto, ao reorganizar-se como exército guerrilheiro, a FMLN conseguiu controlar extensas regiões do país, e chegou a 1992 em condições de negociar um acordo em posição de força relativa.
Está ainda pendente um recurso do partido de direita, ARENA, que o tribunal irá analisar. O candidato derrotado, Norman Quijano, e os seus apoiantes alegaram irregularidades, como a suposta votação duplicada de uns 20.000 militantes da FMLN, e têm-se manifestado violentamente contra a Comissão Eleitoral. Mas os observadores internacionais presentes às eleições negaram a ocorrência de irregularidades.
A obstinação da ARENA em impugnar os resultados eleitorais confirmados na recontagem levanta interrogações sobre a estabilidade política do país no futuro imediato. ARENA e FMLN tinham-se enfrentado de armas na mão entre 1979 e 1992, numa guerra civil que causou mais de 60.000 mortos, um milhão de desalojados e um milhão de exilados.
Após frequentes confrontos armados em 1979, o país entrou verdadeiramente numa situação de guerra com o assassínio do arcebispo Óscar Romero pelos "esquadrões da morte" do major Roberto D'Aubuisson, ligado à ARENA. Entre os líderes políticos assassinados pela direita, contou-se também Juan Chacón, raptado durante uma conferência de imprensa.
Durante todo o conflito, os Estados Unidos apoiaram intensamente a direita salvadorenha com armas, dinheiro, informações e conselheiros militares. Os Estados Unidos receavam a repetição de um desfecho como o da revolução sandinista que em 1979 derrubara o ditador nicaraguense Anastasio Somoza.
A guerra estendeu-se ao longo de três presidências norte-americanas - Reagan, Carter e Bush pai -, que invariavelmente apoiaram a actividade de D'Aubuisson. No entanto, ao reorganizar-se como exército guerrilheiro, a FMLN conseguiu controlar extensas regiões do país, e chegou a 1992 em condições de negociar um acordo em posição de força relativa.