Ex-diretor de prisão síria condenado a 60 anos de prisão nos EUA por tortura
Um antigo diretor de uma prisão de Damasco entre 2005 e 2008 foi condenado a 60 anos de prisão nos Estados Unidos por atos de tortura, anunciou na quinta-feira o Departamento de Justiça norte-americano.
Samir Ousman Alsheikh, que dirigia a célebre prisão de Adra sob o regime de Bashar al-Assad, foi considerado culpado de ter "cometido atrocidades contra os direitos humanos na Síria, incluindo para silenciar opositores políticos", ao "ordenar e participar na tortura de prisioneiros", detalha o comunicado.
Três antigas vítimas testemunharam durante o julgamento sobre os maus-tratos que sofreram, bem como sobre os atos de tortura infligidos a outros reclusos.
"A sentença proferida neste caso presta homenagem à coragem das suas vítimas", sublinhou o procurador-geral adjunto dos Estados Unidos, A. Tysen Duva, citado no comunicado.
Alsheikh foi também condenado por "fraude em matéria de visto" e "tentativa de fraude no processo de naturalização".
O homem, atualmente com 74 anos, chegou aos Estados Unidos em 2020 e pediu a nacionalidade norte-americana em 2023. Foi detido e acusado em julho de 2024, em Los Angeles, por ter mentido às autoridades americanas sobre o seu passado para obter autorização de residência.
"Os autores de violações dos direitos humanos que venham para os Estados Unidos não encontrarão aqui qualquer refúgio. Iremos encontrá-los, e serão processados e punidos pelos seus crimes hediondos", acrescentou Duva.
No final de 2024, após uma ofensiva de 11 dias, uma coligação rebelde dominada pelo grupo islamista sunita radical Hayat Tahrir al-Sham (HTS) derrubou o regime de Bashar al-Assad.
Após a derrota do regime, os rebeldes abriram as portas de numerosas prisões sírias, incluindo a de Saydnaya, a norte de Damasco.
As imagens de prisioneiros atordoados e extremamente debilitados, alguns transportados por companheiros por estarem demasiado fracos para sair das suas celas, deram então a volta ao mundo.