Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo dão seis meses a Ossufo para deixar liderança

Ex-guerrilheiros da moçambicana Renamo, contestatários da liderança do partido, deram seis meses a Ossufo Momade para abandonar a presidência, ameaçando "agir doutra maneira" caso não se demita, defendendo ser o único caminho para evitar uma próxima derrota eleitoral.

Lusa /

"Nós vamos dar um limite até final deste semestre, se as coisas não tomarem o destino que nós pretendemos, vamos agir doutra maneira", disse na quinta-feira aos jornalistas Edgar Silva, coordenador nacional da auto designada comissão de gestão da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), que até às eleições gerais de 2024 era o maior partido da oposição, tendo sido ultrapassada pelo Podemos.

Há meses que os ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, acusando-o de "má gestão", falta de pagamento de pensões e subsídios e de "incompetência total" face à crise no partido.

Com efeito, este grupo tem ocupado, constantemente, as delegações provinciais, tendo agora criado e instalado comissões de gestão até à realização de novo Conselho Nacional, que já foi agendado pela formação partidária para março deste ano.

Os desmobilizados voltaram agora a pedir a demissão de Ossufo Momade, referindo que este é o caminho para o partido preparar e ganhar as próximas eleições, com os ex-guerrilheiros a ameaçar "agir doutra maneira" caso o líder não se demita.

"A outra maneira vai acontecer, não tenho perspetiva para responder a essa questão, mas há de acontecer, talvez colarmo-nos aos órgãos com direito a deliberação, acredito que a comissão política não é constituída só por pessoas que aplaudem o Ossufo, há pessoas ali que podemos pedir para que um terço dessas pessoas convoque uma reunião do Conselho Nacional", disse Edgar Silva, que falou aos jornalistas em Matola.

"Um bom partido tem que começar a construir a sua vitória a partir deste momento. Este facto [Ossufo no poder] prenuncia a derrota da Renamo e nós não estamos interessados em ver a Renamo perdedora. Doravante, temos que, a partir deste momento, começar a nos organizarmos", acrescentou.

O próximo ciclo eleitoral em Moçambique deve acontecer entre 2028 e 2029, com a realização de eleições autárquicas e depois gerais, respetivamente.

Nas mesmas declarações, os ex-guerrilheiros anunciaram a convocação da primeira reunião nacional da estrutura que apelidam de comissão nacional de gestão alargada às comissões provinciais de gestão, a realizar na última semana deste mês, na província de Maputo, sul do país.

"É a primeira vez que vamos sentar juntos para delinearmos ações para num futuro muito breve alcançarmos o almejado congresso extraordinário que ponha término a essa clivagem que temos que é a remoção do presidente do poder", disse Edgar Silva.

Em dezembro, os ex-guerrilheiros da Renamo exigiram a convocação de um congresso extraordinário para a retirada de Ossufo Momade da liderança, após o partido anunciar um conselho nacional para março.

Momade foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente, sendo que já prometeu que não volta a candidatar-se à liderança da formação partidária.

Ossufo Momade, 64 anos, sucedeu em 2018 a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano, na presidência do partido.

Foi candidato presidencial nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo Renamo, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994.

A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que o encontro foi "uma manobra dilatória" para manter Momade na presidência. 

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