Ex-militar julgado em Espanha por prática de crimes durante ditadura argentina
O ex-militar argentino Adolfo Scilingo, julgado em Espanha por genocídio, terrorismo e tortura durante a ditadura no seu país, afirmou hoje que nunca pertenceu aos comandos de repressão e jamais participou nos chamados "voos da morte".
Interrogado no sétimo dia do julgamento pelo advogado de defesa oficioso, Fernado Martinez Morata, Scilingo foi acusado de ter desmentido o que tinha declarado ao juiz espanhol Baltasar Garzon, em 1997.
Segundo o antigo oficial argentino, as suas declarações da época foram "romanceadas" com a intenção "de colaborar com a justiça espanhola nas investigações sobre o período da ditadura" na Argentina.
"Nunca, nunca fiz parte de grupos operacionais" da Escola Superior de Mecânica da Marinha (ESMA) encarregados de sequestrar, torturar, e fazer desaparecer os detidos, assegurou o acusado.
O ex-oficial esteve vinculado na ESMA desde Fevereiro de 1977 até Março de 1978, um dos maiores centros de detenção da ditadura argentina (no norte de Buenos Aires).
Associações de direitos humanos indicaram que cerca de 5.000 vítimas da ditadura passaram pela ESMA antes de serem declaradas mortas ou desaparecidas.
No total, e segundo estas associações, 30.000 pessoas morreram ou foram dadas como desaparecidas durante a ditadura.
Adolfo Scilingo disse hoje em tribunal que é "electricista" e nunca recebeu qualquer formação para fazer parte dos serviços especiais de repressão.
O ex-militar negou também ter participado nos "voos da morte", que consistiam em atirar ao mar, a partir de aviões, prisioneiros políticos previamente drogados.
As partes civis pedem 6.626 anos de prisão para o ex-oficial, neste primeiro processo da ditadura na Argentina, nunca antes realizado no estrangeiro na presença de um acusado.