Ex-ministro das Finanças brasileiro indiciado pela Polícia Civil por quatro crimes

O ex-ministro brasileiro das Finanças Antonio Palocci foi indiciado hoje pela Polícia Civil pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato.

Agência LUSA /

Os crimes dizem respeito ao período em que Antonio Palocci presidiu pela segunda vez a Câmara da cidade paulista de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, entre 2001 e 2002.

O antigo homem forte do governo de Luís Inácio Lula da Silva é acusado de envolvimento em um esquema de fraudes no serviço de limpeza pública da cidade.

Segundo a Polícia Civil, as alegadas irregularidades podem ter causado prejuízos de até 30 milhões de reais (11 milhões de euros) aos cofres públicos da cidade.

Parte desse dinheiro, de acordo com denúncias feitas no ano passado pelo advogado Rogério Buratti, ex-secretário municipal e antigo assessor de António Palocci em Ribeirão Preto, teria servido para abastecer o "saco azul" do Partido dos Trabalhadores (PT).

Buratti afirmou que a empresa Leão & Leão, responsável pela recolha do lixo em Ribeirão Preto, enviava 50 mil reais (19 mil euros) por mês ao então presidente da Câmara, Antonio Palocci, que entregava o dinheiro à direcção nacional do PT para o financiamento de campanhas.

A Leão & Leão é parceira do grupo português Somague na Triângulo do Sol, concessionária de estradas no interior de São Paulo, com sede em Ribeirão Preto.

O ex-ministro foi ouvido hoje na Corregedoria da Polícia Civil, em Brasília, e voltou a negar todas as denúncias sobre seu envolvimento no esquema de corrupção em Ribeirão Preto.

Antonio Palocci não havia sido ouvido anteriormente nas investigações da Polícia Civil, porque tinha foro privilegiado como ministro.

Ao pedir afastamento do cargo, após o envolvimento no escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, Palocci perdeu esse privilégio.

Na semana passada, o ex-ministro já havia sido indiciado pela Polícia Federal como mandante da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

O caseiro que conseguiu derrubar o então ministro das Finanças acusou Palocci de frequentar a casa em que trabalhava, a qual era usada por um grupo, aliado do governo, envolvido em denúncias de corrupção, e para festas com prostitutas.

Antonio Palocci, do Partido dos Trabalhadores, pediu o afastamento do cargo no dia 27 de Março e foi substituído por Guido Mantega, ex-ministro do Planeamento e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

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