Ex-ministro José Dirceu diz perdeu mandato por "fuzilamento político"
O ex-ministro da Casa Civil da Presidência brasileira José Dirceu, que viu o seu mandato suspenso pela Câmara dos Deputados na noite de quarta-feira, disse hoje que sofreu um "fuzilamento político", mas não se arrepende de não ter renunciado.
"Não fui suspenso por corrupção. Eu fui suspenso pelo que eu fiz bem pelo governo, pelo PT (Partido dos Trabalhadores) e pelo Brasil. A minha cassação foi política", destacou em conferência de imprensa.
José Dirceu perdeu o seu mandato por 293 votos contra 192.
Houve ainda oito abstenções, um voto nulo e um voto em branco.
Eram necessários 257 votos dos 513 deputados federais brasileiros para assegurar a suspensão do mandato do antigo homem forte do governo Lula da Silva.
O ex-deputado disse não ter ânimo para ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para recorrer da decisão tomada pela Câmara, mas assinalou estar "absolutamente seguro" de que será "absolvido em todas as instâncias".
Reafirmou que o "mensalão" não existiu e que não há provas sobre o alegado esquema de compra de votos de parlamentares pelo PT.
José Dirceu disse ainda que a crise política brasileira, deflagrada em Maio e agravada em Junho com as denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson sobre o "mensalão", tem um lado artificial, alimentado pela oposição, interessada nas eleições presidenciais de 2006.
O ex-ministro referiu que participará da campanha eleitoral no próximo ano como "cidadão e militante do PT" e garantiu que o partido vai lutar pela reforma política no país e vai banir o "saco azul", considerado por ele como "fonte de corrupção e de tráfico de influência".
José Dirceu manifestou-se "totalmente contrário" ao poder da Câmara e do Senado de suspender os mandatos de seus pares.
"Deveríamos fazer como nas democracias modernas, em que os direitos políticos são suspensos depois de provada a culpa na Justiça", sublinhou.
O ex-ministro e ex-deputado, que ficará inelegível para cargos públicos até 2016, vai dedicar-se agora a escrever um livro sobre os seus 30 meses à frente da Casa Civil da Presidência e retomar a sua carreira de advogado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que respeita a soberania do Congresso, mas lamentou que o seu ex-ministro tenha visto o mandato suspenso sem provas.