Ex-oficial da RENAMO acusa polícia de delinear plano para eliminar Dhlakama

Simão Bute, antigo general que integrou as forças da RENAMO, denunciou esta terça-feira o que seria um plano da Força de Intervenção Rápida da Polícia cujo objectivo é a eliminação do presidente do antigo movimento rebelde. Bute apontou a dirigentes da FRELIMO, partido no poder, como origem da ordem para assassinar Afonso Dhlakama. A polícia moçambicana já rejeitou todas as acusações.

RTP /

Durante uma conferência de imprensa, Simão Bute apontou os dirigentes da FRELIMO como possíveis cérebros deste plano. Na justificação da sua tese, o antigo general fala das movimentações que nos últimos dias levou "altas patentes" das Forças de Defesa e Segurança para Nampula, onde reside Dhlakama, logo depois de a RENAMO ter agendado protestos populares contra alegadas fraudes nas eleições de 28 de Outubro, e que a FRELIMO e o seu candidato presidencial, Armando Guebuza, venceram com uma confortável margem de 75 por cento dos votos.

Bute alertou ainda para a chegada a Nampula, no último domingo, de cinco novas viaturas da polícia. As autoridades afirmam que se trata de um reforço para a acção policial, mas o antigo general diz que a sua função é "sequestrar Afonso Dhlakama".

"Quero, em nome do partido, denunciar publicamente o plano da FRELIMO contra o nosso líder Afonso Dhlakama. Digo isto porque nós nunca vimos movimentação desusada de agentes da polícia, do Serviço do Informação e Segurança do Estado e outros quadros das Forças de Defesa e Segurança de Maputo para Nampula. Ainda no passado dia 20 chegaram à Nampula três oficiais que se encontram escondidos algures nesta cidade", acusou.

Governo responde com tese da tranquilidade
Em resposta à intenção da RENAMO de levar por diante uma série de manifestações para contestar os resultados eleitorais, o Governo apontou a "aposta na manutenção da tranquilidade pública".

Sublinhando que afirmou que "o Governo aposta na manutenção da tranquilidade pública, porque é isso que o povo espera", Luís Covane, porta-voz do Governo, acrescentou que "o povo moçambicano conhece o sofrimento da guerra e ainda está a cicatrizar as feridas. Quer a paz e tranquilidade e o Governo deve oferecer isso".

Polícia rejeita versão de Simão Bute

A polícia moçambicana já rejeitou a existência de qualquer plano com o objectivo de assassinar Afonso Dhlakama, sustentando pelo contrário que o presidente da RENAMO "está a ser alvo de maior protecção" por se tratar de um líder partidário e membro do Conselho de Estado.

Por outro lado, o porta-voz da polícia António de Oliveira Maneque afirma que numa tentativa de minimizar a falta de meios com que se debate a polícia moçambicana foram colocados na zona norte do país um general e um adjunto-comissário da polícia.

Pelas mesmas razões foi ainda decidida a implantação de uma unidade da FIR (Força de Intervenção Rápida) e de uma frota de cinco viaturas à província de Nampula.

Ainda a questão das eleições

O Observatório Eleitoral (OE) de Moçambique acusou a Comissão Nacional de Eleições (CNE) de "pouco ou nada" ter feito até ao momento para levar mais fundo a investigação às irregularidades levadas a cabo durante as eleições Outubro passado: o observatório aponta nomeadamente o enchimento de urnas e a invalidação deliberada de votos dos candidatos da Oposição.

Num relatório do OE pode ler-se que, ainda que a correcção não tirasse a vitória a Armando Guebuza e à FRELIMO, a Justiça deve responsabilizar "todos os autores das irregularidades eleitorais que atentaram a transparência que deveria caracterizar todo o processo eleitoral".

Outros exemplos que apontam para irregularidade - assinala o OE - são os casos de números desproporcionais de votantes em regiões de Tete, onde mesas de voto registaram afluência superior a 100 por cento.

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