Ex-PM italiano Silvio Berlusconi apoia centro-esquerda se integrar Governo

Roma, 12 abr (Lusa) - O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi afirmou, numa entrevista hoje publicada, estar disposto a apoiar um candidato do Partido Democrata (PD) à chefia do Estado, se integrar um Governo de unidade.

Lusa /

Ao admitir pela primeira vez esta possibilidade ao diário La Repubblica, Berlusconi explicou que o seu partido, Povo da Liberdade (PDL), "está disposto a falar" de uma possível candidatura do centro-esquerda para substituir na presidência Giorgio Napolitano, a partir de 15 de maio.

O parlamento vai começar a escolher o novo presidente da República a 18 de abril, mas ainda não é conhecido nenhum candidato ao cargo.

Para eleger o Presidente são necessários dois terços dos lugares do parlamento, mais três representantes de cada região nas primeiras três votações. Na quarta votação bastará a maioria absoluta.

"Até ao momento não nos foi apresentado qualquer nome, disseram-nos que nos iam apresentar uma lista de possíveis candidatos e depois haverá uma decisão. Por enquanto, aguardamos", indicou Berlusconi.

"Se houver acordo sobre o Quirinal (presidência da República), também teremos que encontrar um consenso para um executivo de unidade, com ministros eleitos em conjunto, ou nada será concluído", insistiu.

Na terça-feira, Berlusconi e o líder do centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, debateram o atual bloqueio institucional na sequência dos resultados eleitorais, mas a reunião terminou sem acordo.

"Um Governo apoiado por poucos não teria força para aprovar as normas que o país necessita para salvar a economia e negociar tudo o que precisa de ser mudado nos acordos da UE. A situação é dramática e não se pode olhar para outro lado", acrescentou.

Silvio Berlusconi também garantiu que, em nenhum momento, apresentou como condição "salvo-condutos" ou "amnistias" para pôr fim aos seus processos judiciais.

"Não se preocupem com os meus processos", disse aquele que foi três vezes primeiro-ministro italiano, acrescentando confiar "nos íntegros juízes" do Supremo Tribunal, que sempre o absolveram.

Sobre o êxito nas urnas do Movimento Cinco Estrelas de Beppe Grillo, Berlusconi considerou-o desolador.

"Votaram num antigo cómico sem conhecer uma das pessoas que ia levar para o parlamento", sublinhou.

O centro-esquerda de Bersani, que conta com a maioria absoluta na Câmara dos Deputados e relativa no Senado, precisa de mais uma dezena de votos para conseguir eleger o seu candidato à presidência da República.

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