Ex-presidente Alberto Fujimori excluído da corrida à presidência

O tribunal eleitoral peruano rejeitou hoje a candidatura à eleição presidencial de Abril próximo do ex- presidente Alberto Fujimori, actualmente detido em Santiago do Chile enquanto espera uma decisão sobre a sua extradição para o Peru.

Agência LUSA /

Na decisão, publicada hoje pelo jornal oficial "El peruano", o tribunal considera a candidatura "inoportuna" por Alberto Fujimori, 67 anos, ter sido declarado "inelegível" para o Parlamento até 2010 pouco depois da sua demissão em 2000.

O partido de Alberto Fujimori - Si Cumple - recorreu da decisão do tribunal e este último, soberano na matéria, tem três dias para responder definitivamente.

Todavia, o Si Cumple decidiu apresentar a deputada Martha Chavez, uma advogada, à eleição presidencial.

"É uma inscrição para poder responder a qualquer eventualidade, porque vamos continuar a defender até ao fim a candidatura de Alberto Fujimori", indicou Martha Chavez.

De origem japonesa, Alberto Fujimori dirigiu o Peru de 1990 a 2000, antes de deixar o país no meio de um escândalo de corrupção político-financeira e de se refugiar cinco anos no Japão.

É uma dolorosa derrota para este ex-presidente, estimam os analistas, sublinhando que Fujimori acumula reveses: não pode candidatar-se à presidência e está detido em Santiago por um período de tempo "indeterminado" sob ameaça de uma extradição a fim de ser julgado no Peru.

Além disso, o seu eleitorado tradicional, a população mais pobre do país, voltou-se para o candidato populista e nacionalista Ollanta Humala.

O antigo oficial, de 43 anos, que continua a subir nas sondagens, mantém-se à frente das intenções de voto, com 21 por cento, tal como a candidata da direita clássica Lourdes Flores.

O antigo presidente Fujimori está detido em Santiago do Chile desde 07 de Novembro a aguardar uma eventual extradição para o Peru.

O tribunal eleitoral ratificou 24 candidaturas à presidência, entre as quais a do antigo presidente Alan Garcia (centro-esquerda), a de Lourdes Flores (direita), a do ex-presidente interino Valentin Paniagua (centro) e sobretudo a da estrela em ascensão da política peruana, o ex-tenente-coronel Ollanta Humala (nacionalista e populista de esquerda), assim como do seu irmão Ulysse, candidato por um pequeno partido de extrema-direita abertamente racista.

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