Ex-Presidente da Libéria declara-se inocente de crimes de guerra
O antigo Presidente da Libéria Charles Taylor declarou-se inocente das acusações de crimes de guerra e contra a humanidade no Tribunal Especial para a Serra Leoa, em Freetown.
A princípio, Taylor recusara-se a reconhecer o direito do Tribunal a julgá-lo, para depois afirmar a sua inocência.
"Eu não cometi, nem podia ter cometido" as atrocidades constantes da acusação, disse Taylor.
O antigo Chefe de Estado liberiano, que estava no exílio na Nigéria desde 2003, depois de ter sido forçado a abandonar o poder nas negociações que visaram pôr termo aos 14 anos de conflito na Libéria, é considerado um dos conspiradores por trás da guerra civil na Serra Leoa.
Taylor fugiu da mansão em que residia em Lagos, capital económica da Nigéria, quando o Presidente nigeriano, Olusegun Obasanjo, pressionado pelos Estados Unidos, decidiu aceitar o pedido de extradição do antigo ditador para a Libéria.
No entanto, acabaria por ser capturado pela polícia nigeriana quando tentava atravessar a fronteira para os Camarões.
Muitos esperam que o julgamento de Taylor, o primeiro Presidente africano a ter de enfrentar acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, possa firmar o precedente de que os déspotas de África deixaram de estar acima da lei.
A segurança é apertada no tribunal em Freetown devido às ameaças de morte contra Taylor e os membros do tribunal.
O julgamento decorre atrás de vidros à prova de bala e protegido por dezenas de soldados mongóis e irlandeses que formam a missão das Nações Unidas.
Taylor é acusado de 11 crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo escravatura sexual, mutilação e recrutamento de crianças para combater, todos relacionados com o apoio aos rebeldes da Serra Leoa durante a guerra civil que durou de 1991 a 2001.