Ex-Presidente Julio César Turbay Ayala morre aos 89 anos

O antigo Presidente colombiano Julio César Turbay Ayala morreu hoje aos 89 anos em Bogotá, depois de uma carreira em que foi um dos governantes mais criticados e um dos políticos mais sagazes e conciliadores da Colômbia.

Agência LUSA /

O filho de imigrantes que mais longe chegou na vida política do país, Turbay Ayala governou a Colômbia entre 1978 e 1982.

Nascido em Bogotá a 18 de Junho de 1916, tinha uma voz nasalada que sempre foi alvo de chacota por parte dos seus adversários, tal como a sua hipotética falta de cultura e os laços que sempre preferiu às gravatas.

Encarado com desdém pela classe política tradicional de Bogotá, Turbay exibia um apelido de origem árabe que não ficava bem a um político com aspirações - no princípio da carreira chamavam-lhe popularmente "turco".

O pai, Antonio Turbay, era um comerciante originário de Tanourine, no Líbano, lugar onde desde 1970 há uma estátua do político colombiano.

Por razões económicas teve de deixar o curso de direito e começar cedo a carreira política, aos 21 anos, como presidente da Câmara de Girardot, entreposto comercial no centro do país.

Depois, seria sucessivamente deputado regional, membro da Câmara de Representantes, ministro de Minas, do Trabalho e dos Negócios Estrangeiros, senador, presidente do Congresso e embaixador em Londres, Washington e Roma.

Considerado pelos rivais como impulsor do clientelismo e da economia paralela, estabeleceu um "estatuto de segurança" no país, com medidas repressivas que levaram ao exílio numerosos dissidentes e intelectuais, entre eles Gabriel García Marquez que pediu asilo político na embaixada do México quando soube ia ser detido.

O mesmo García Marquez haveria, no entanto, de elogiar publicamente a inteligência de Turbay.

No último ano de vida promoveu a Fundação Patria Nueva, destinada a apoiar a reeleição do Presidente Alvaro Uribe e há poucas semanas aconselhou-o a nomear o seu antecessor e adversário político Andrés Pastrana como embaixador em Washington, para assim se livrar de um dos seus principais críticos.

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