Ex-rapper confirma vitória arrasadora nas eleições no Nepal

Ex-rapper confirma vitória arrasadora nas eleições no Nepal

O partido Rastriya Swatantra (RSP, na sigla em inglês), liderado pelo ex-`rapper` Balendra `Balen` Shah, venceu as eleições no Nepal, garantindo uma maioria suficiente para formar Governo, impulsionado pela "Geração Z", que derrubou a "velha guarda política".

Lusa /
Foto: Adnan Abidi - Reuters

De acordo com os votos contabilizados até esta manhã, segundo a comissão eleitoral do país, a nova formação política já garantiu 106 dos 165 assentos resultantes da eleição direta e lidera a contagem em outros 19 círculos eleitorais.

A estes resultados, acresce que o RSP (Partido Nacional Independendente, formado em 2022) detém mais de 50% dos votos no bloco de representação proporcional (110 lugares), o que lhe garante ultrapassar confortavelmente a barreira dos 138 lugares necessários para a maioria absoluta num Parlamento de 275 membros.

Com o governo já garantido, as projeções apontam que o partido de Balen Shah poderá alcançar 190 cadeiras assim que a contagem for concluída nos próximos dias, o que lhe dará uma maioria de dois terços, algo inédito no Nepal desde as eleições gerais de 1959.

Desde a abolição da monarquia em 2008, o Nepal tem estado mergulhado em instabilidade política, marcada por uma dança incessante de alianças entre os mesmos líderes tradicionais, que têm trocado o poder sem conseguir completar uma única legislatura.

A "Geração Z" e os eleitores urbanos utilizaram as plataformas digitais para contornar os meios de comunicação tradicionais e organizar uma mobilização em massa, transformando a mensagem anticorrupção do ex-`rapper` num fenómeno viral que, no ano passado, expulsou do poder os partidos clássicos, deixando a nação dos Himalaias sob um governo interino.

A ascensão do RSP deixa o Congresso Nepalês, a formação mais antiga do país, com apenas 15 representantes diretos, mas sobretudo destaca o revés do ex-primeiro-ministro e líder do Partido Comunista do Nepal (Marxista-Leninista Unificado ou CPN-UML), K.P. Sharma Oli, que perdeu o seu lugar direto para o próprio Shah.

A peneira nas urnas também expulsa do Parlamento o presidente do Congresso Nepalês, Gagan Thapa, e o único multimilionário do país que se tornou político, Binod Chaudhary.

Entre a "velha guarda", apenas o ex-líder maoista e antigo primeiro-ministro Pushpa Kamal Dahal, também conhecido como "Prachanda", parece manter o seu lugar, com seis representantes garantidos para a formação.

O ex-chefe da Comissão Eleitoral Bhoj Raj Pokharel declarou ao jornal local Kantipur que o resultado representa uma "erupção da frustração pública há muito reprimida" e atribuiu o colapso dos líderes a décadas de um "jogo de cadeiras" no poder.

"O Nepal está a passar por uma onda de mudanças para se afastar do controlo dos antigos partidos. A verdadeira questão é se os novos líderes serão capazes de compreender esta onda e sustentá-la", avaliou, por sua vez, o especialista constitucional Bipin Adhikari, citado pela agência EFE.

Tópicos
PUB