Ex-tenente acusa PR Paul Kagamé de planear morte de antigo presidente

Um ex-oficial da Frente Patriótica Ruandesa, o tenente Abdul Ruzibiza, afirmou num livro hoje publicado em França que o presidente do Ruanda, Paul Kagamé, planeou o atentado que matou o antigo presidente Juvenal Habyarimana e levou ao genocídio.

Agência LUSA /

Em "Ruanda, a história secreta", Ruzibiza explica que os rebeldes tutsi, liderados por Kagamé, esperavam desde 1993 um momento oportuno para eliminar o então chefe de Estado, Juvenal Habyarimana.

A 31 de Março de 1994, numa reunião dirigida por Kagamé, "foi tomada a decisão de em qualquer momento, assim que houvesse oportunidade, o avião do presidente seria abatido", relata o autor, que conta como os mísseis utilizados foram levados para uma colina perto do aeroporto para abater o Falcon 50.

Kagamé temia, segundo Ruzibiza, que a comunidade internacional obrigasse as partes em conflito a aceitar uma solução negociada, com eleições, e a Frente Patriótica Ruandesa tinha poucas possibilidade de vencer.

Ruzibiza, exilado, foi para Paris em 2003, altura em que compareceu frente ao juiz antiterrorista Jean-Louis Bruguiere, encarregue de julgar o atentado contra o presidente Juvenal Habyarimana e no qual morreram dois pilotos franceses.

A acusação agora feita pelo ex-tenente já tinha sido divulgada pelo jornal Le Monde que, em Março de 2004, publicou um relatório da Divisão Nacional Antiterrorista que afirmava que Paul Kagamé era o responsável pelo atentado que matou o antigo presidente ruandês.

O avião do presidente Juvenal Habyarimana foi abatido em Abril de 1994, quando se preparava para aterrar em Kigali.

O atentado provocou o genocídio da minoria tutsi pela etnia hutu, maioria, para vingar a morte do antigo presidente.

Durante a matança, que durou 100 dias e terminou com a vitória militar da Frente Patriótica Ruandesa de Paul Kagamé, morreram foram mortos quase um milhão de tutsis e hutus moderados.


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