Exército brasileiro destrói documentos sobre guerrilha do Araguaia

O Comando do Exército comunicou oficialmente ao governo brasileiro que todos os seus documentos sobre eventuais torturas, mortes e desaparecimentos ocorridos durante a guerrilha do Araguaia foram completamente destruídos.

Agência LUSA /

A guerrilha do Araguaia foi um movimento rural armado, entre 1972 e 1974, orientado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) durante o regime militar.

Cerca de metade dos desaparecidos políticos no Brasil teriam sido sequestrados e mortos durante a guerrilha do Araguaia, no Sul do Estado do Pará.

Oficialmente, o número de desaparecidos no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985) é de 424 pessoas.

A informação de que os arquivos do Exército foram queimados chegou ao Palácio do Planalto no final da semana passada, depois de a Comissão de Averiguação e Análise de Informações Sigilosas, formada por sete ministros, ter requisitado as Forças Armadas os documentos referentes à época da ditadura.

Segundo declarações do secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, ao jornal Folha de São Paulo, o Exército teria incinerado até mesmo as ordens para que os arquivos sobre a guerrilha do Araguaia fossem destruídos.

A comissão vai reunir-se novamente esta semana para analisar as respostas das Forças Armadas (Exército, Marinha e Força aérea), Polícia Federal e órgãos dos serviços secretos brasileiros à solicitação dos arquivos.

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