Exército dos EUA destina 1,89 mil milhões de euros para construção de pequenos reatores nucleares
O exército norte-americano anunciou hoje que atribuiu 2,2 mil milhões de dólares (1,89 mil milhões de euros) a cinco fabricantes para a construção de aproximadamente 20 pequenos reatores nucleares (SMR) de última geração.
Os SMR irão fornecer energia a cinco instalações militares nos Estados Unidos.
O objetivo é ter o primeiro reator operacional até setembro de 2028, prazo estabelecido pelo Presidente Donald Trump numa ordem executiva de maio de 2025, que visava acelerar o desenvolvimento da energia nuclear civil de última geração.
"Sabemos que a nossa rede elétrica está potencialmente em risco", frisou Jeff Waksman, responsável de instalações, numa conferência de imprensa com o secretário do exército, Daniel Driscoll.
"Em caso de conflito, sabemos que podemos não ser capazes de fornecer fontes de energia fóssil onde precisamos delas", acrescentou.
No entanto, segundo Waksman, atualmente "toda a infraestrutura essencial do exército depende de um sistema de reserva" movido a combustíveis fósseis, "principalmente gasóleo".
Trata-se de uma fonte de energia de reserva para o caso de uma interrupção na rede elétrica convencional, que normalmente alimenta a maioria das instalações do exército.
O governo pretende, por isso, instalar SMR em várias destas instalações.
Após um concurso, o Exército selecionou cinco empresas, incluindo startups como a Antares Nuclear e a Radiant Industries, bem como empresas consolidadas na indústria nuclear, como a Westinghouse e a General Atomics.
A intenção é capitalizar o desenvolvimento dos SMR, que está a ser incentivado pelo Departamento de Energia.
Desde junho, cinco empresas levaram protótipos ao período crítico, em que o reator pode operar de forma independente, sem entrada externa, e teoricamente pode produzir energia.
No entanto, ainda não está em funcionamento nenhum SMR, e apenas um fabricante, a NuScale, teve o seu projeto de reator aprovado pela Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC).
As Forças Armadas norte-americanas, contudo, possuem o seu próprio processo de aprovação para aplicações relevantes, observou Jeff Waksman.
Foi esta circunstancia que permitiu à Marinha lançar o primeiro submarino nuclear do mundo, o USS Nautilus, em 1954. Estava equipado com o precursor do SMR, que era muito mais pequeno do que um reator convencional.
Jeff Waksman esclareceu que as Forças Armadas estão a trabalhar em conjunto com o Departamento de Energia e a NRC para garantir que os seus respetivos protocolos de aprovação estão "o mais alinhados possível".