Exército israelita bombardeia colinas no sul do Líbano
O exército de Israel lançou hoje um novo bombardeamento contra colinas no sul do Líbano, avançou a agência de notícias estatal libanesa, apesar dos progressos na ronda bilateral de negociações realizada na semana passada.
A Agência Nacional de Notícias libanesa disse que estava a ocorrer um "intenso bombardeamento de artilharia", tendo como alvo as colinas de Ali Taher, nos arredores da cidade de Nabatieh al-Fawqa, no sul do país.
O exército israelita não emitiu qualquer alerta através dos habituais canais nas redes sociais.
O novo bombardeamento ocorre depois de as forças israelitas terem atacado as cidades de Mayfadoun e Zawtar al-Sharqiya, no distrito de Nabatieh, bem como as colinas de Ali Taher, no domingo.
Apesar das discussões, em Roma, entre os dois países, sobre um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, o exército israelita tem continuado a realizar ataques no sul do Líbano, afirmando ter como alvo infraestruturas do movimento xiita libanês Hezbollah.
O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, reuniu-se na segunda-feira com o chefe da delegação negocial libanesa, a quem deu instruções para definir a estratégia do país tendo em vista a próxima fase das negociações com Israel.
"O general Joseph Aoun recebeu um relatório do chefe da delegação negocial, o antigo embaixador Simon Karam, sobre as reuniões realizadas na semana passada em Roma entre as delegações libanesa, norte-americana e israelita, e transmitiu-lhe orientações para a próxima fase", indicou a presidência, num breve comunicado.
Um acordo-quadro, assinado no final de junho entre representantes libaneses e israelitas após a entrada em vigor de um cessar-fogo, prevê o destacamento do exército do Líbano em "zonas-piloto" no sul do país, ocupando o lugar das tropas israelitas, sob condição do desarmamento das milícias do Hezbollah, que se opõe ao diálogo direto entre Beirute e Telavive.
Na quinta-feira, no seguimento das conversações, uma fonte da presidência libanesa avançou que Israel se tinha recusado a identificar novas áreas de retirada do sul do Líbano até que seja verificado o controlo real do exército de Beirute nas zonas-piloto já existentes.
O destacamento do exército em duas zonas-piloto foi o primeiro teste do entendimento que visa proibir qualquer presença militar de grupos não governamentais no sul do Líbano e garantir a retirada efetiva das tropas de Israel das áreas sob ocupação.
O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado do movimento libanês.
Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.