Exército israelita multiplica ataques contra palestinianos na Cisjordânia

Pelo menos seis palestinianos foram abatidos esta terça-feira em diferentes incursões do exército israelita na Cisjordânia ocupada. Em Nablus, no norte deste território, operacionais do Tsahal atacaram o quartel-general de um grupo de militantes alegadamente envolvidos em ações contra alvos israelitas.

Carlos Santos Neves - RTP /
Uma multidão concentrou-se às portas do Hospital Rafedya, em Nablus, na Cisjordânia, após a mais recente incursão israelita Alaa Badarneh - EPA

De acordo com o Ministério da Saúde da Autoridade Palestiniana, em Nablus, a maior cidade do norte da Cisjordânia, foram abatidos cinco palestinianos e outros 20 ficaram feridos.

Um sexto palestiniano foi mortalmente atingido no peito em Nabi Saleh, localidade situada a norte de Ramallah. As forças israelitas alegam ter alvejado “um suspeito que lançava um engenho explosivo”.O território palestiniano da Cisjordânia está sob ocupação israelita desde 1967.

O exército do Estado hebraico confirmou entretanto ter desencadeado uma operação em Nablus, a par da polícia, contra o que descreveu como o “quartel-general e uma oficina de fabrico de armas” de um “novo grupo de jovens combatentes palestinianos designado como Areen al-Oussoud”, ou “covil de leões”.

“Vários suspeitos armados foram atingidos por balas. Dezenas de palestinianos queimaram pneus e lançaram pedras”, alegou o Tsahal em comunicado citado pela agência France Presse.

Ouvido pela rádio pública Kan, o primeiro-ministro israelita, atualmente em campanha para as eleições legislativas antecipadas de 1 de novembro, adiantou que um dos dirigentes do Areen al-Oussoud, Wadih Al Houh, morreu durante o ataque do exército.

“Eles devem saber que os alcançaremos onde quer que se encontrem. Israel não deixará jamais de atuar pela sua segurança”, vincou Yair Lapid, para acrescentar que o objetivo das autoridades israelitas é “reduzir o terrorismo e garantir que este não atinja cidadãos” de Israel.
“A rendição é o caminho para a humilhação”
Na plataforma de mensagens Telegram, o Areen al-Oussoud, que terá nas suas fileiras 210 mil militantes, veio clamar que “a rendição é o caminho para a humilhação”. E que “é tempo de os leões saírem do seu covil”.Os raids do Tsahal na Cisjordânia fizeram já mais de 100 mortos entre os palestinianos, naquele que é o balanço mais elevado de vítimas em sete anos, segundo dados das Nações Unidas. Desde o início de outubro, morreram pelo menos 25 palestinianos e dois soldados israelitas.

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, acusou, por sua vez, o exército israelita de ter perpetrado um “crime de guerra” em Nablus.

Nos últimos meses, a Cisjordânia viu recrudescer a violência com sucessivas operações das tropas israelitas em Nablus e Jenin, dois bastiões de grupos armados palestinianos.
Areen al-Oussoud
Parte dos membros do grupo agora visado pelas forças de Israel estão conotados com organizações históricas da resistência palestiniana como a Fatah e os mais radicais Hamas e Jihad Islâmica.

A designação “covil dos leões” é uma declarada homenagem a Ibrahim al-Nabulsi, um militante conhecido como “leão de Nablus”, abatido em agosto por forças israelitas.

O Areen al-Oussoud reivindicou o ataque mortal contra um soldado israelita perpetrado há cerca de duas semanas na Cisjordânia. Desde então, o exército do Estado hebraico controla entradas e saídas deste território e mantêm uma apertada vigilância com recurso a drones.

c/ agências
Tópicos
PUB