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Expedição dermatológica rastreia 1.550 pessoas com albinismo e opera 400 em Moçambique

Expedição dermatológica rastreia 1.550 pessoas com albinismo e opera 400 em Moçambique

Pelo menos 1.550 pessoas com albinismo foram rastreadas e 400 submetidas a cirurgias dermatológicas em seis províncias moçambicanas durante uma expedição dermatológica internacional, que incluiu a distribuição de 180 mil protetores solares, foi hoje anunciado.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Visitámos seis províncias, estivemos em Tete, Nampula, Beira, Inhambane, Xai-Xai e Maputo e até hoje conseguimos 1.550 doentes, rastreios de pele e também 400 cirurgias", disse hoje Esther Villa, responsável de sustentabilidade da ISDIN, laboratório internacional de dermatologia e fotoproteção promotor da iniciativa, durante o encerramento da missão, em Maputo.

Segundo a responsável, a VII Expedição Dermatológica, que decorreu desde 05 de outubro, promovida em parceria com organizações nacionais e internacionais, procurou garantir uma assistência integral às pessoas com albinismo, combinando rastreios dermatológicos, intervenções cirúrgicas, distribuição de protetores solares e ações de sensibilização para a prevenção do cancro da pele.

"Estamos a trabalhar para inspirar um futuro sem cancro da pele", afirmou Esther Villa.

A responsável avançou ainda que a organização disponibilizou cerca de 180 mil unidades de fotoproteção em Moçambique este ano "para enviar a todas as pessoas que precisam dessa fotoproteção diária".

A expedição envolveu cerca de 50 dermatologistas de diferentes países, incluindo Portugal, França e Brasil, e promoveu igualmente ações de capacitação destinadas a profissionais de saúde moçambicanos.

De acordo com Esther Villa, uma das prioridades passa pelo reforço da capacidade nacional de resposta dermatológica num país onde existem "15 a 20 dermatologistas para todo o país".

Marta Teixeira, médica dermatologista portuguesa e diretora da expedição, explicou que as pessoas com albinismo apresentam uma vulnerabilidade acrescida à radiação solar devido à reduzida produção de melanina.

Segundo a especialista, o cancro da pele continua a ser a principal causa de morte entre pessoas com albinismo a nível mundial.

Durante os rastreios realizados ao longo da expedição, as equipas médicas identificaram casos de queimaduras solares graves, lesões pré-malignas e múltiplos casos de cancro da pele.

"Aquilo que nós assistimos e que é para nós uma grande preocupação é que nós ainda continuamos a assistir crianças já com queimadura solar muito grave. Nós continuamos a ver muitos pacientes com cancro da pele", alertou.

Para a médica, a falta de informação continua a ser um dos principais obstáculos à prevenção da doença.

"Muitas pessoas com albinismo continuam a não saber que têm que se proteger do sol, continuam a não saber que é o sol que causa o cancro da pele", afirmou.

A especialista apontou igualmente dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a produtos de fotoproteção em várias regiões do país.

"Muitas vezes também a falta de acesso a cuidados de saúde, a falta de acesso a medidas de fotoproteção, ou seja, a incapacidade de comprar protetor solar, a incapacidade de chegar até a um profissional de saúde que os possa tratar, são grandes barreiras", acrescentou.

Apesar dos desafios, Marta Teixeira considerou que Moçambique tem registado avanços no atendimento às pessoas com albinismo.

"Moçambique é um país pioneiro naquilo que é o tratamento e o acesso a cuidados médicos de pacientes com albinismo", afirmou.

A médica revelou ainda que está em preparação um memorando de entendimento com o Ministério da Saúde para reforçar a cooperação na área da prevenção, formação e tratamento.

"O Ministério da Saúde está muito interessado em ajudar-nos e eu vejo um futuro muito promissor nesta nossa missão", declarou.

O principal objetivo da iniciativa, concluiu, é reduzir drasticamente os casos de cancro da pele entre pessoas com albinismo através da prevenção e da educação.

"Mais do que tratar o cancro da pele, o nosso objetivo é preveni-lo", concluiu.

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