Explosão do paiol das Forças Armadas de Moçambique deixou pelo menos 80 crianças órfãs
Pelo menos 80 crianças moçambicanas ficaram órfãs de pai e mãe na sequência da explosão do paiol das Forças Armadas de Moçambique, em Março passado, noticiou a agência de notícias da África do Sul (SAPA).
De acordo com SAPA, o porta-voz do governo moçambicano, Luís Covane, em declarações à Rádio Moçambique, anunciou que as autoridades já terminaram o "relatório do impacto social" da explosão do passado dia 22 de Maio, no bairro de Malhazine, arredores de Maputo.
O porta-voz indicou que a informação recolhida permitiu concluir que 80 crianças ficaram órfãs de ambos os pais, enquanto muitas outras perderam um dos progenitores.
As explosões deixaram ainda 25 pessoas viúvas, disse o porta- voz do governo moçambicano numa entrevista à Rádio Moçambique.
Entretanto, o governo moçambicano terminou a distribuição dos "kits de reconstrução" às pessoas que perderam as suas casas devido às fortes explosões que se fizeram sentir nos bairros pobres perto do paiol.
Esses "kits de reconstrução" incluíam cimento, tijolos e cobertura para telhados.
Mísseis e roquetes que o exército dizia estarem obsoletos voaram durante três horas, destruindo edifícios residenciais e comerciais.
O impacto das explosões atingiu edifícios no centro de Maputo e em locais a mais de 15 quilómetros do paiol.
De acordo com os números oficiais, há a registar 103 mortos e mais de 500 feridos.
Luís Covane disse ainda à estação de rádio que 15 pessoas permanecem hospitalizadas em Maputo, tendo algumas delas perdido braços ou pernas.
Cinco crianças com ferimentos graves estão na África do Sul, para onde foram transferidas em Abril para tratamento especializado.
A comissão de inquérito sobre as explosões revelou que foram causadas por "erro humano".
O exército nacional atribuiu as explosões às altas temperaturas, enquanto críticos do governo e analistas militares internacionais dizem que foi negligência do executivo.
Construído pela Rússia em 1984, o paiol das Forças Armadas de Moçambique já sofreu explosões por três vezes: em 1985 e duas vezes em 2007 (Janeiro e Março).
As explosões de 22 de Março são consideradas as piores no país, em termos de mortes, ferimentos e destruição de propriedade.
O governo moçambicano declarou na altura três dias de luto nacional.