Explosões e tiros ouvidos em vários bairros da capital do Níger

Explosões e tiros ouvidos em vários bairros da capital do Níger

Tiros e explosões foram ouvidos durante a madrugada em vários bairros da capital do Níger, Niamey, particularmente junto à base militar adjacente ao aeroporto internacional, que foi atacada duas vezes este ano por fundamentalistas islâmicos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Há intensos tiroteios e explosões perto da Base 101 em Niamey", disse um habitante local à agência de notícias France-Presse, declaração confirmada por várias outras testemunhas.

Um morador de Koira Kano, um outro bairro, na zona oeste da capital, relatou ter ouvido disparos esporádicos de armas ligeiras por volta das 05:00 (mesma hora em Lisboa).

Várias publicações nas redes sociais também relataram tiroteios e explosões na cidade, particularmente no distrito administrativo que alberga o palácio presidencial e a emissora pública, que continuava as transmissões.

Outras publicações mostraram veículos blindados posicionados como reforço num bairro próximo do aeroporto.

A origem dos disparos permanece desconhecida e não foi divulgado até ao momento qualquer comunicado oficial.

O aeroporto de Niamey foi alvo de ataques primeiro, pelo Estado Islâmico, em janeiro, e depois, no final de junho, pelos rivais do JNIM, o braço da Al-Qaeda no Sahel.

Ambos os ataques foram repelidos pelo exército, mas, em junho, foram mortos 11 soldados e dois civis.

Em janeiro, o general Abdourahamane Tiani, chefe do regime militar, citou uma "falha de segurança" que "permitiu o ataque", cujo "objetivo era destruir todas as capacidades aéreas do exército".

A Base Aérea 101, localizada dentro do complexo do aeroporto internacional, alberga nomeadamente o quartel-general dos parceiros russos de Niamey, o Afrika Korps, bem como o quartel-general da força unificada da Aliança dos Estados do Sahel, que o Níger forma com o Burkina Faso e o Mali.

O local é sensível: entre dezembro e janeiro, albergou um grande carregamento de concentrado de urânio, que estava retido à espera de exportação. Nenhum movimento deste carregamento foi detetado desde então.

No final de julho, a organização não governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) afirmou que a crise humanitária no Níger está a agravar-se e os ataques aos direitos humanos estão a intensificar-se.

"Três anos após o golpe de Estado, a junta do Níger intensificou os seus ataques aos direitos humanos", disse Ilaria Allegrozzi, investigadora da HRW para o Sahel , num comunicado.

O Níger é governado, desde 26 de julho de 2023, por uma junta militar resultante de um golpe de Estado que derrubou o presidente eleito Mohamed Bazoum, detido desde então juntamente com a sua esposa, Hadiza.

A junta militar "estabeleceu um regime autoritário, desmantelou as instituições democráticas e intensificou a repressão", aponta-se no comunicado.

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