Exéquias de Maria Fiodorovna juntam Romanov, apesar dos diferendos

Os descendentes dos Romanov, vindos do mundo inteiro assistir hoje às exéquias de Maria Fiodorovna, mãe do último czar russo, Nicolau II, continuam divididos quanto ao herdeiro do trono, uma questão sem relevância na Rússia do "czar" Putin.

Agência LUSA /

Cerca de 50 descendentes dos Romanov, a dinastia que reinou na Rússia de 1613 a 1917, chegaram da Dinamarca, Estados Unidos, França, Itália ou Grã-Bretanha, indicou Ivan Artsichevski, representante da Associação da Família Romanov.

A grã-duquesa Maria Vladimirovna, que vive em Madrid e se considera a principal herdeira da Casa Imperial russa, e o príncipe Nikolai Romanovitch, chefe da Associação da Família Romanov e que lhe contesta o direito à sucessão, assistiram às cerimónias.

Hoje, a cadeia pública de televisão Pervyi Kanal mostrou as imagens de um encontro de descendentes dos Romanov de todas as idades, notando que para muitos deles a única língua utilizada para comunicar era o inglês, não conhecendo as jovens gerações uma só palavra de russo.

Durante a sua estada em São Petersburgo, os Romanov assistiram à inauguração de dois bustos de Maria Fiodorovna e visitaram uma exposição de pintura dinamarquesa no museu do Ermitage.

Dispersos pelo mundo após a revolução bolchevique de 1917, tinham-se já reunido em São Petersburgo em 1998, por ocasião da inumação dos restos mortais de Nicolau II, da sua mulher e de três das suas filhas, executados pelos bolcheviques em 1918.

Maria Vladimirovna, neta de Kirill Vladimirovitch, primo do último czar da Rússia, afirma nas suas entrevistas estar "sempre pronta" a ascender ao trono e reclama em vão à justiça russa a reabilitação de Nicolau II enquanto vítima da repressão política.

Contudo, os adversários de Maria Vladimirovna contestam os seus direitos à sucessão, considerando que nasceu de um casamento morganático (quando um príncipe casa com uma mulher de condição inferior).

A sua mãe, Leonida Guerguievna, pertencia a uma dinastia da georgiana que nunca esteve no poder e casou-se em segundas núpcias com o príncipe Vladimir Kirillovitch.

Para o príncipe Nikolai Romanovitch, bisneto do imperador Nicolau I e residente na Grã-Bretanha, a questão dos direitos de sucessão é apenas "teórica", pois a dinastia imperial cessou de facto de existir em 1918, quando os bolcheviques fuzilaram Nicolau II.

Por seu turno, Artsichevski, representante da Associação da Família Romanov na Rússia, acusa Maria Vladimirovna de pretender obter "publicidade" através de um processo mediático.

"De que serve reabilitar um czar que foi já canonizado pela igreja ortodoxa russa?", interroga-se.

A questão do regresso dos czares ao poder na Rússia nunca foi, de qualquer forma, discutida com seriedade no país, onde o presidente Vladmir Putin desfruta de um poder quase absoluto.

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