Extremistas judeus querem novo "Estado da Judeia"- General
O chefe de Estado-Maior israelita, major-general Dan Haluts, declarou hoje que, desde a evacuação dos colonatos na Faixa de Gaza, sobem de tom nos meios extremistas judeus os apelos à liquidação do Estado de Israel e a sua substituição por um novo "Estado da Judeia".
Haluts lançou este alerta numa reunião convocada pelo primeiro- ministro interino, Ehud Olmert, com a participação do ministro da Defesa, Shaul Mofaz, e da ministra dos Negócios Estrangeiros e da Justiça, Tsipi Livni, para fazer o ponto da situação decorrente dos confrontos entre a polícia e os soldados e os colonos de Hebron.
Haluz atribuiu a escalada da violência à tolerância excessiva de que o governo e as autoridades de segurança deram mostras perante indivíduos transgressores da Lei.
O major-general referiu que, além de atacados pelos colonos, os oficiais e soldados estão a ser vítimas de atitudes hostis por parte da população de Hebron, que não os deixa entrar nas sinagogas para rezar e não aceita transportá-los nos seus carros.
Num debate político, terça-feira à noite, no primeiro canal da televisão, representantes dos extremistas dos colonatos declararam abertamente que resistiriam pela força a qualquer tentativa de "expulsar judeus de terras que foram de judeus, expulsos pela força, pelos árabes", na década de 20.
Referiam-se ao mercado árabe da cidade, de cujas casas os proprietários judeus foram expulsos em 1929 e donde eles agora expulsaram os comerciantes palestinianos.
Naquela acção, em 1929, foram mortos muitos judeus, e entre os que conseguiram escapar estava a família do então rabino de Lisboa, Abraham Castel, natural de Hebron.
Depois de 1967, os colonos israelitas voltaram a habitar dois dos antigos bairros judeus de Hebron e o "Túmulo dos Patriarcas", onde, segundo a tradição, estão sepultados Abraão, Isaac e Jacob. O mercado ficou fora da área israelita.
O primeiro-ministro interino tomou hoje medidas enérgicas para forçar os colonos a abandonar as casas que ocuparam no mercado de Hebron e os colonatos ilegais que instalaram na Judeia e Samaria desde 2001.
Em resposta, Zvi Hendel, líder dos colonos, acusou o chefe interino do governo de declarar guerra aos colonos defensores da "Terra de Israel", por razões eleitorais.