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Exumação de Franco. Madrid ameaça fazer a Igreja católica pagar impostos
O Governo de Madrid vai protestar junto do Vaticano por aquilo que considera ser uma ingerência do núncio apostólico na política espanhola. E poderá não se ficar pelo protesto e retaliar com novas regras de tributação fiscal.
O embaixador do Vaticano em Madrid, cardeal Renzo Frattini, criticou o Governo espanhol por, alegadamente, ter "ressuscitado" Franco ao insistir em que o ditador fosse retirado do mausoléu do Vale dos Caídos. Frattini dissera também que por trás do projecto de exumação havia motivos políticos e ideológicos, afirmando mesmo: "Por trás, está uma ideologia de alguns que querem novamente dividir a Espanha".
A vice-presidente do Governo de Pedro Sánchez, Carmen Calvo, anunciou para breve um protesto formal contra as declarações de Frattini e acrescentou que estas, contudo, não a tinham surpreendido: "Já tive uma conversa muito difícil com o núncio. Ele vai receber uma resposta contundente por parte do Estado espanhol".
Calvo considerou "improcedentes e inaceitáveis" os comentários do núncio, lembrando que o embaixador do Vaticano "não tem de entrar nos assuntos internos de um Estado", especialmente num tema "tão importante como o de exumar os restos de um ditador".
E prosseguiu: "Vai haver uma queixa formal ao Estado do Vaticano. Vai receber uma queixa por uma ingerência desta natureza, pelas formas em que ela se produziu e os conteúdos impróprios de qualquer legação diplomática que [ao Vaticano] o afecta muito, porque os restos de Franco estão numa Basílica".
E, no anúncio mais "contundente" para a Igreja, Carmen Calvo adiantou ainda que o Governo já enviou à Conferência Episcopal uma proposta com novas regras sobre a tributação fiscal da Igreja católica em Espanha e designou dois membros do executivo para tratarem esse tema explosivo.
Segundo as palavras de Calvo, citadas em El Pais, "a Igreja tem de pagar impostos como faz em França ou em Itália, porque [isso] é justiça social. Eles sabem-no, e por isso acho mais incompreensível a entrevista que deu o embaixador do Vaticano em Espanha".