Familiares de português assassinado abandonaram casa há 18 dias com receio de novos ataques

Caracas, 14 Abr (Lusa) - Por receio de engrossar o número de vítimas da insegurança na Venezuela, a família de um agricultor português, assassinado em finais de Março, está "fora de casa" há 18 dias, pernoitando rotativamente em casa de amigos.

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Desesperada com a situação, a família apela às autoridades venezuelanas e portuguesas que a ajude a regressar a casa e para que "se faça justiça com a detenção dos culpados".

"Se entraram e mataram o meu pai, em qualquer momento podem entrar, roubar-nos e fazer-nos algo", desabafou à Agência Lusa, António da Corte (43 anos), um dos cinco filhos de Manuel da Corte Gomes (74 anos), um agricultor natural da Ribeira Brava, Madeira, que há 51 anos emigrou para a Venezuela "à procura de melhor vida".

O assassínio ocorreu pelas 7:15 horas locais (13:45 em Lisboa) a 27 de Março numa parcela de terreno chamada de Jardim Caney 25, na localidade de Andrés Bello, Brisas de Charallave (30 quilómetros a sul de Caracas), após vários assaltos.

"Queremos que se faça justiça, porque a vida aqui neste país não vale nada. Roubaram-nos em Dezembro (2008) e fizemos a denúncia, por vingança roubaram-nos outra vez e mataram o meu pai. Não podemos viver mais aqui", desabafou.

António da Corte fez questão de sublinhar que se encontrava em casa com um empregado quando assassinaram o pai e denunciar que levaram um computador portátil onde se encontrava o arquivo de todas as fotos da família.

Por outro lado, explicou que o pai tinha cinco filhos, "três varões que viviam com ele, para além da sua própria mulher com um filho. Duas outras filhas estão casadas e vivem noutro sítio".

"Andamos do +timbo al tambo+ (para cima e para baixo). Um dos meus irmãos está ficando em casa de uma irmã, outro com a família da namorada, o meu filho fica em casa da sogra, a minha mulher e eu passamos um dia com amigos e outro com primos", explicou.

O medo de regressar a casa impede-os ainda de conseguir o sustento da família, porque todos trabalhavam numa pequena oficina de bate-chapas e pintura, situada na propriedade do pai.

"Espero que o Consulado nos possa ajudar em algo", exclamou, depois de salientar o receio pela insegurança e o pedido de justiça.

Fontes não oficiais disseram à Lusa que os suspeitos do assassínio do agricultor madeirense pertencem a uma quadrilha de 19 indivíduos procurados pelas autoridades, um dos quais já foi se encontra detido.

FPG.

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