Familiares marcham 12 anos após o desaparecimento de 43 estudantes no México
A Cidade do México foi palco de uma marcha liderada pelos familiares dos 43 estudantes que desapareceram em 2014, num caso que se tornou um símbolo da impunidade e envolvimento estatal na violência dos cartéis.
Com as fotografias dos filhos à frente e o eco do grito "Vivos os levaram, vivos os queremos!", as famílias iniciaram o percurso a partir do monumento do Anjo da Independência, acompanhadas por estudantes, organizações sociais e coletivos que se juntaram à mobilização para exigir verdade, justiça e avanços nas buscas.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, adiou para segunda-feira a apresentação de um relatório sobre novas linhas de investigação, após uma semana de protestos das famílias em frente a instituições federais, e reiterou o compromisso oficial com a verdade, a justiça e a busca pelos 43 estudantes.
A administração do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, que exerceu funções entre 2018 e 2024, descreveu o caso de Ayotzinapa como um "crime de Estado".
No início de agosto, Ángel Aguirre, ex-governador do estado de Guerrero, sul do México, foi detido pelo alegado envolvimento no desaparecimento dos 43 estudantes.
Os procuradores federais anunciaram que detiveram Aguirre sob a acusação de "ocultar provas para determinar o paradeiro dos estudantes" da Escola Normal Rural de Ayotzinapa.
O desaparecimento dos jovens em 26 de setembro de 2014, depois de terem tomado o controlo de vários autocarros a caminho de uma manifestação, chocou o México e a comunidade internacional.
Segundo as autoridades mexicanas, um cartel na cidade de Iguala atacou os estudantes em conluio com as forças de segurança, bem como com autoridades locais, estaduais e federais, incluindo as forças armadas. Presume-se que as autoridades estejam envolvidas, quer por terem participado no crime, quer por ocultação do mesmo.
Após três administrações, dezenas de detenções e uma investigação marcada por irregularidades, questões fundamentais continuam sem resposta.
As autoridades acreditam que os estudantes foram mortos, mas apenas foram encontrados fragmentos ósseos de três deles, e o motivo do ataque continua por esclarecer, embora se acredite que esteja ligado ao tráfico de heroína em autocarros com destino aos Estados Unidos, operados pelo cartel local em conluio com as autoridades.
Os estudantes foram atacados de forma coordenada em vários locais. Num dos casos, as câmaras gravaram o momento em que as forças de segurança pararam um dos autocarros junto ao Palácio da Justiça, sede dos tribunais, mas as declarações oficiais iniciais afirmavam que essas imagens não existiam.