Famosos chefes de cozinha bascos pagavam imposto à ETA

A Justiça espanhola pondera chamar a depor quatro famosos cozinheiros bascos acusados por um alegado etarra de terem pago o chamado "imposto revolucionário" à organização separatista basca ETA, revelou hoje fonte judicial.

Agência LUSA /

Os quatro chefes podem ser julgados por "colaboração com uma organização terrorista", admitiu a mesma fonte.

O alegado membro da ETA Jose Luis Beotegi, detido na passada quinta-feira, assegurou na sua declaração à Guarda Civil ter entregado a Juan Maria Arzak, Carlos Arginano, Martin Berasategi e Pedro Subijana, quatro famosos chefes de cozinha proprietários de restaurantes bascos, uma carta em que lhes exigiu o pagamento de 12 milhões de pesetas (cerca de 72.000 euros) a cada um.

Beotegi explicou que Arzak, cuja mulher é familiar do alegado etarra, terá negociado "uma redução em seu nome e no de Subijana".

O acordo alcançado consistiu, sempre segundo a declaração de Beotegi, em que os chefes efectuassem um primeiro pagamento de seis milhões de pesetas (cerca de 36.000 euros) e completassem o resto, à razão de 6.000 euros por ano até perfazer a totalidade da soma exigida.

Beotegi afirmou ao juiz ter recebido pessoalmente os primeiros pagamentos de Arzak e Subijana, mas não sabia se eles continuaram a pagar nos anos seguintes.

Afirmou também nada ter recebido de Berasategi nem de Arguinano e ignorar se eles tinham pago.

O chefe Martin Berasategi, cujo restaurante de San Sebastian é um dos quatro Três Estrelas Michelin de Espanha, negou formalmente ter pago o imposto revolucionário e considerou "muito mau" que se divulgue este tipo de informações.

Segundo ele, Arguignano, Subijana e Arzak estão "também tão indignados" como ele pelas informações publicadas. "Nós somos cozinheiros que só sabemos cozinhar e trabalhar", acrescentou. "Temos prestígio aos olhos da crítica internacional e tentamos dar uma certa imagem do País basco".

De "tudo o resto" recusou-se a dar uma opinião. Reafirmou que tudo o que compreende é de cozinha e tudo o que fez na vida foi "lidar com cebolas, borregos e pimentos".

"Eu não tenho que falar de imposto revolucionário. Não quero saber absolutamente nada de algo de que nunca falei com ninguém", defendeu-se Berasategi, comentando que o seu desejo é "fazer feliz as pessoas" através do seu trabalho.

Arguinano fez saber por um porta-voz que "não sabe nada deste caso".

Beotegi, 55 anos, foi detido no País basco espanhol no quadro de uma operação antiterrorista que permitiu capturar a 03 de Outubro em França o número um da ETA Mikel "Antza". Ingressou segunda-feira em prisão efectiva acusado de pertencer à organização separatista basca.

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