Fang Bin libertado três anos depois de denunciar o surto de covid em Wuhan

Foi libertado Fang Bin identificado como um cidadão-jornalista chinês que relatou o surto dos primeiros casos de covid-19 em Wuhan, o epicentro da pandemia. O empresário de ficou conhecido por partilhar vídeos sobre cadáveres que se acumulavam numa funerária da cidade e no Hospital nº 5. Aconteceu nas primeiras semanas de 2020, quando ainda não havia informação sobre a doença respiratória mortal. Após as publicações nas redes sociais chinesas, a conta de Bin foi silenciada e o autor foi preso.

Carla Quirino -RTP /
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Fang Bin foi libertado da prisão no domingo, de acordo com vários relatos na comunicação social, que citaram pessoas próximas à família.

No canal de notícias LTN é descrito que Bin,“foi secretamente condenado a três anos por documentar a epidemia de Wuhan”e “foi libertado da prisão no final de abril”.

A Radio Free Asia (RFA) citou fontes anónimas noticiando que o Departamento de Segurança Pública de Wuhan notificou a família de Fang Bin na semana passada. "As autoridades anunciavam que Fang Bin seria libertado a 30 de abril e pediam que a família se preparasse", informou.

Entre várias notícias, os dados relatam que Bin teria ido para a Pequim, onde moram alguns dos seus familiares. Depois terá sido enviado de volta a Wuhan, durante a manhã de segunda-feira, onde permanece sob estrita supervisão.

Num documento redigido num site de direitos humanos  é relatado que o “jornalista-cidadão de Hubei Wuhan, Fang Bin, preso durante três anos, ainda não está livre após a libertação da prisão”. Alerta que  Bin foi libertado da prisão, mas tem sido empurado "para frente a e para trás".

"Depois de ter sido libertado da prisão a 30 de abril de 2023, foi enviado a Pequim pela polícia de Wuhan. O seu filho convidou-o para jantar e comprou-lhe roupas" descreve a página.

"Mas Fang Bin acabou por ser reenviado para Wuhan pela polícia de Pequim, mas a sua família em Wuhan não pode acolhê-lo devido às ameaças das autoridades" denuncia o blog.

"Fang Bin está agora a vaguear em Wuhan e não tem dinheiro. Bin não tem permissão para aceitar entrevistas externas e alguém o segue e monitoriza de perto", denuncia o site.
A acusação a Bin
De acordo com o canal de noticias LTN, Fang Bin registou em vídeo os restos mortais de muitos pacientes levados em um hospital local.

Nas imagens viam-se sacos com corpos empilhados. A partilha dessas imagens foi feita no grupo WeChat da plataforma social, amplamente divulgadas posteriormente.

Bin afirmou no vídeo que a "teria causas naturais ou era um desastre provocado pelo homem".

Nesse registo de vídeo Bin "ainda gritou contra a tirania". Em 9 de fevereiro, "policia à paisana invadiu a sua residência e levaram-no à força".
 
A Associated Press citou uma fonte que alegou que a causa de Fang ter sido condenado a três anos de prisão era “causar brigas e provocar problemas”, uma acusação vaga tradicionalmente usada contra dissidentes políticos. A Radio Free Asia acrescentou que o jornalista-cidadão cumpriu a sentença num centro correcional no distrito de Jiangxia, em Wuhan.

c/agências
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