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FBI vai desbloquear mais um iPhone. E agora, Apple?
O próximo grande problema da Apple não advém dos mercados ou da concorrência. A multinacional volta a enfrentar a justiça norte-americana, que conseguiu aceder à informação do iPhone usado por um dos autores do tiroteio de San Bernardino. Desfeito o enigma, o FBI aceitou desbloquear mais um telefone, desta feita para ajudar a resolver um caso de homicídio.
Está reaberta a guerra entre a Apple e o FBI. Depois do caso de San Bernardino, a polícia de Arkansas apresentou o pedido para desbloquear um iPhone e um iPod, aparelhos que pertencem a dois jovens de 15 e 18 anos.
Segundo a Associated Press, são acusados pelo homicídio de um casal residente em Conway, no passado mês de julho.
No processo dos dois jovens, o juiz responsável pelo caso concordou em adiar o julgamento, exatamente no mesmo dia em que o FBI anunciava que tinha acedido ao iPhone de um dos atiradores de San Bernardino sem qualquer colaboração por parte da Apple.
Braço de ferro
Na passada segunda-feira, a 28 de março, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciava em comunicado que tinha descoberto uma forma de desbloquear o iPhone sem a ajuda da empresa responsável pelo seu fabrico.
Um dia depois desta comunicação, o departamento de investigação norte-americana acedia ao pedido apresentado pelas autoridades do Arkansas.
Descoberta uma forma alternativa para desencriptar o telemóvel, a agência de segurança desistiu consequentemente do processo que forçava a Apple a criar software específico para permitir o acesso ao telemóvel de Syed Rizwan Farook, terrorista envolvido nos ataques de San Bernardino.
Na altura, a justiça norte-americana obrigava a mais valiosa das empresas cotadas em Bolsa a colaborar com o FBI no desbloqueio do iPhone, uma hipótese que foi desde logo descartada pelo presidente executivo da empresa, alegando questões de segurança e privacidade dos utilizadores.
O braço de ferro contou com o apoio de personalidades importantes, que elogiaram a posição da multinacional pela defesa de dados dos utilizadores, incluindo Edward Snowden, que expôs os programas de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) em junho de 2014. O pedido apresentado pelo FBI consistia na criação de uma nova versão do sistema operativo do iPhone que, instalada no telefone, seria capaz de contornar várias barreiras de segurança dos dispositivos.
“O Governo sugere que esta ferramenta de acesso possa ser usada apenas uma vez, apenas neste telefone. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer número de aparelhos”, avisava Tim Cook.
A verdade é que se confirmam os receios do CEO da Apple. Desvendado o mistério, espera-se a multiplicação de casos de justiça onde será requerido o desbloqueio dos telemóveis.
Um sistema vulnerável
A empresa vê-se a braços com uma ameaça concreta aos parâmetros de segurança e privacidade dos seus clientes. Até porque, como foi assumido pelo próprio Tim Cook, a desencriptação “seria equivalente a disponibilizar uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras de restaurantes, bancos, lojas e casas”.
Antes do caso mediático relacionado com os ataques de San Bernardino, o departamento de Justiça dos EUA tinha ordenado por 60 vezes o desbloqueio de outros dispositivos com sistema operativo iOS e Android, recorrendo aos mesmos meios legais. Aberta a caixa de Pandora, a Apple procura desesperadamente erguer novas barreiras de segurança, que consigam impedir futuros desbloqueios por parte das autoridades. Mas esse processo poderá vir a ser dificultado pela força do próprio sistema judicial. É que neste caso, a lei não prevê que o FBI seja obrigado a revelar de que forma conseguiu aceder aos dados.
Em casos desta natureza, o Governo costuma transmitir às empresas visadas de que forma chegou à informação, fornecendo novas ferramentas de proteção de dados. Mas o processo judicial que antecedeu a descoberta do FBI, em que a Apple se opôs com veemência à cooperação com a justiça, poderá levar a um desfecho diferente.
Segundo a agência Reuters, o árbitro deste caso deverá ser o grupo de cibersegurança, criado há dois anos pela Administração Obama. Em processos anteriores, a interagência de especialistas defendia que o Governo deve “revelar as vulnerabilidades dos sistemas” a menos que haja necessidade de uma clara imposição de segurança ou lei nacional em sentido contrário.
Enquanto a multimilionária Apple procura desvendar e corrigir as falhas na sua proteção, há outros pedidos que chegam a Cupertino, na Califórnia, sem quaisquer motivações judiciais. É o caso de um pai italiano que pediu desesperadamente o acesso às fotografias do filho, que faleceu em 2013 vítima de cancro.
Leonardo Fabbretti suplicou a Tim Cook que “não lhe negasse as memórias do seu filho”. Mas o pedido ficou sem resposta. Após as notícias desta semana, Fabbretti anunciou esta quinta-feira que vai pedir o desbloqueio do iPhone à equipa de especialistas israelitas que terá alegadamente apoiado o FBI na desencriptação do telemóvel.
Segundo a Associated Press, são acusados pelo homicídio de um casal residente em Conway, no passado mês de julho.
No processo dos dois jovens, o juiz responsável pelo caso concordou em adiar o julgamento, exatamente no mesmo dia em que o FBI anunciava que tinha acedido ao iPhone de um dos atiradores de San Bernardino sem qualquer colaboração por parte da Apple.
Braço de ferro
Na passada segunda-feira, a 28 de março, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciava em comunicado que tinha descoberto uma forma de desbloquear o iPhone sem a ajuda da empresa responsável pelo seu fabrico.
Um dia depois desta comunicação, o departamento de investigação norte-americana acedia ao pedido apresentado pelas autoridades do Arkansas.
Descoberta uma forma alternativa para desencriptar o telemóvel, a agência de segurança desistiu consequentemente do processo que forçava a Apple a criar software específico para permitir o acesso ao telemóvel de Syed Rizwan Farook, terrorista envolvido nos ataques de San Bernardino.
Na altura, a justiça norte-americana obrigava a mais valiosa das empresas cotadas em Bolsa a colaborar com o FBI no desbloqueio do iPhone, uma hipótese que foi desde logo descartada pelo presidente executivo da empresa, alegando questões de segurança e privacidade dos utilizadores.
O braço de ferro contou com o apoio de personalidades importantes, que elogiaram a posição da multinacional pela defesa de dados dos utilizadores, incluindo Edward Snowden, que expôs os programas de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) em junho de 2014. O pedido apresentado pelo FBI consistia na criação de uma nova versão do sistema operativo do iPhone que, instalada no telefone, seria capaz de contornar várias barreiras de segurança dos dispositivos.
“O Governo sugere que esta ferramenta de acesso possa ser usada apenas uma vez, apenas neste telefone. Mas isso simplesmente não é verdade. Uma vez criada, a técnica poderia ser usada uma e outra vez, em qualquer número de aparelhos”, avisava Tim Cook.
A verdade é que se confirmam os receios do CEO da Apple. Desvendado o mistério, espera-se a multiplicação de casos de justiça onde será requerido o desbloqueio dos telemóveis.
Um sistema vulnerável
A empresa vê-se a braços com uma ameaça concreta aos parâmetros de segurança e privacidade dos seus clientes. Até porque, como foi assumido pelo próprio Tim Cook, a desencriptação “seria equivalente a disponibilizar uma chave mestra, capaz de abrir centenas de milhões de fechaduras de restaurantes, bancos, lojas e casas”.
Antes do caso mediático relacionado com os ataques de San Bernardino, o departamento de Justiça dos EUA tinha ordenado por 60 vezes o desbloqueio de outros dispositivos com sistema operativo iOS e Android, recorrendo aos mesmos meios legais. Aberta a caixa de Pandora, a Apple procura desesperadamente erguer novas barreiras de segurança, que consigam impedir futuros desbloqueios por parte das autoridades. Mas esse processo poderá vir a ser dificultado pela força do próprio sistema judicial. É que neste caso, a lei não prevê que o FBI seja obrigado a revelar de que forma conseguiu aceder aos dados.
Em casos desta natureza, o Governo costuma transmitir às empresas visadas de que forma chegou à informação, fornecendo novas ferramentas de proteção de dados. Mas o processo judicial que antecedeu a descoberta do FBI, em que a Apple se opôs com veemência à cooperação com a justiça, poderá levar a um desfecho diferente.
Segundo a agência Reuters, o árbitro deste caso deverá ser o grupo de cibersegurança, criado há dois anos pela Administração Obama. Em processos anteriores, a interagência de especialistas defendia que o Governo deve “revelar as vulnerabilidades dos sistemas” a menos que haja necessidade de uma clara imposição de segurança ou lei nacional em sentido contrário.
Enquanto a multimilionária Apple procura desvendar e corrigir as falhas na sua proteção, há outros pedidos que chegam a Cupertino, na Califórnia, sem quaisquer motivações judiciais. É o caso de um pai italiano que pediu desesperadamente o acesso às fotografias do filho, que faleceu em 2013 vítima de cancro.
Leonardo Fabbretti suplicou a Tim Cook que “não lhe negasse as memórias do seu filho”. Mas o pedido ficou sem resposta. Após as notícias desta semana, Fabbretti anunciou esta quinta-feira que vai pedir o desbloqueio do iPhone à equipa de especialistas israelitas que terá alegadamente apoiado o FBI na desencriptação do telemóvel.