Febre hemorrágica em Angola é causada pelo vírus de Marburg

A febre hemorrágica que já provocou 96 mortos na província angolana do Uíge é causada pelo vírus de Marburg, revelou hoje, em Luanda, o vice-ministro angolano da Saúde, José Van- Dúnem.

Agência LUSA /

"Entre as 12 amostras que foram enviadas para análise em laboratórios do Senegal e dos Estados Unidos, três foram negativas e nove foram positivas, sendo o agente causador o vírus de Marburg", afirmou o vice-ministro, numa conferência de imprensa na capital angolana.

Segundo José Van-Dúnem, "embora ainda não esteja bem determinada a origem da doença, o seu vector é o macaco verde, sendo a contaminação feita principalmente através dos excrementos do doente".

Na conferência de imprensa realizada ao final de tarde de hoje em Luanda, o vice-ministro da Saúde revelou que foram detectados seis novos casos desta febre hemorrágica nas últimas 24 horas, dois dos quais em adultos e os quatro restantes em crianças.

José Van-Dúnem salientou que está a ser preparada a criação de uma comissão nacional de emergência para, em conjunto com os parceiros do governo no sector da saúde, se combater esta epidemia.

A representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Angola, Fatoumata Dialo, salientou aos jornalistas que a doença que está a afectar a província do Uíge, no norte de Angola, é "muito específica" e "pouco frequente", revelando que estão a ser tomadas medidas para a combater.

"Em conjunto com o Ministério da Saúde, decidimos que se deve declarar a epidemia de Marburg em Angola, especialmente na província do Uíge, não como uma catástrofe, mas como uma doença rara", afirmou.

Segundo esta responsável, o vírus foi descoberto há quatro anos na RDCongo, onde se registaram quatro casos, tendo surgido mais tarde outros quatro casos no Quénia.

"O primeiro passo será reforçar a segurança epidemiológica, através da colocação de equipamentos para a recolha de dados no terreno para se obter uma visão clara do problema", salientou.

O apoio técnico será assegurado pela OMS, que prevê fazer chegar a Angola no mais curto espaço de tempo possível dois epidemiologistas para assistirem o pessoal que já se encontra a trabalhar no Uíge.

Relativamente à gestão e controlo dos doentes, a representante da OMS em Angola salientou que requer formação de pessoal, frisando que está prevista a chegada a Angola de um consultor da Tunísia, que vai assegurar a formação necessária nesta área.

Por outro lado, todo o apoio que a OMS tem condições para disponibilizar chegará a Luanda sexta-feira, proveniente de Genebra (Suiça) e de Harare (Zimbabué), incluindo telefones-satélite para recolha de dados, apoio logístico e equipamento para socorrer cerca de 500 pessoas, incluindo pessoal de saúde.

"O Marburg é perigoso para os serviços de saúde porque é este pessoal que está em contacto com os doentes", afirmou Fatoumata Dialo, assegurando que a OMS "vai colocar todos os meios à disposição para evitar o contágio".

Questionado sobre os métodos de prevenção que a população deve adoptar, o vice-ministro angolano da Saúde salientou o uso de luvas e a utilização de lixívia, frisando que esta doença é de "alta contaminação".

José Van-Dúnem reafirmou, no entanto, que não é necessário isolar a província do Uíge, considerando apenas que devem ser tomadas medidas de vigilância epidemiológica nas províncias limítrofes do Zaire, Cuanza Norte, Malange e Cabinda.

"Estas províncias devem manter o seu sistema de controlo epidemiológico em estado de alerta para evitar o alastramento da doença", frisou.

As últimas estatísticas oficiais apontam para a existência de 107 casos desta doença, de que resultaram 96 mortes.

Os primeiros casos ocorreram em Outubro, mas a doença apenas foi tornada pública há cerca de duas semanas, na sequência da morte de duas enfermeiras do Hospital Provincial do Uíge.

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