Feira Internacional do Livro de Bogotá abre sob a direção do português Pedro Rapoula
A 29.ª edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá (FILBO), a segunda mais importante da América Latina, abre portas na terça-feira, já sob a direção do diplomata português Pedro Rapoula, de 39 anos.
Os escritores João de Melo, Dulce Maria Cardoso e Valter Hugo Mãe, a editora Bárbara Bulhosa e o agente literário Paulo Ferreira, da Booktailors, marcam a presença portuguesa, sobretudo na segunda semana da FILBO, que se prolongará até 02 de maio, com a participação em debates e encontros com o público.
A convidada de honra é a escritora bielorrussa Svetlana Alexiévich, autora de "Vozes de Chernobyl" e "O fim do homem soviético", distinguida no ano passado com o Prémio Nobel da Literatura, que participará num encontro sobre paz, segundo o programa da feira.
A Holanda, por seu lado, é o país convidado desta edição, que conta com 15 diferentes espaços, sendo o principal "Conversas que mudam a vida. Fim e princípio: a propósito da paz".
A participação de João de Melo, autor de "Gente feliz com lágrimas" e "Os Navios da Noite", distinguido com o prémio Vergílio Ferreira 2016, está anunciada para quinta-feira, 28 de abril, no âmbito de "A arte de viajar".
No mesmo dia, a autora de "Retorno", Dulce Maria Cardoso, falará sobre "Dramas e traumas pós-coloniais".
Na véspera, 27 de abril, é esperada a intervenção de Bárbara Bulhosa, "Contra a censura", e o responsável da Booktailors vai falar sobre "Novas maneiras de vender direitos".
Valter Hugo Mãe, autor de "A desumanização", participa no debate "Humanización y deshumanización", anunciado para terça-feira, 26 de abril, dirigido pelo especialista pessoano Jerónimo Pizarro.
A escritora bielorrusa Svetlana Alexiévich participa no encontro "Mulheres: narrativas da guerra e da paz", que contará ainda com a presença da ativista política norte-americana Jody Williams, fundadora da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas Antipessoais, distinguida com o Nobel da Paz, em 1997.
Alexiévich apresenta, na quinta-feira, no âmbito da FILBO, o seu novo livro, "A guerra não tem rosto de mulher" (de acordo com o título da edição em castelhano, "La guerra no tiene rostro de mujer").
No contexto da programação do país convidado, a FILBO evoca Anne Frank, a menina judia que viveu escondida com a família, em Amesterdão, durante a ocupação nazi daquele país, na II Guerra Mundial (1939-1945), sendo o seu diário um dos destaques do certame.
Uma antiga colega de escola de Anne Frank, a autora holandesa Nanette Blitz, apresentará a sua obra "Blitz, sobrevivi ao holocausto", um relato da sua experiência durante a II Grande Guerra.
A Holanda tem um pavilhão 3.000 metros quadrados, dedicado à sua urbanística, ao desenho, ao turismo e à literatura.
A cerimónia de inauguração da FILBO contará com a princesa Laurentien da Holanda, mulher do príncipe Constantino, irmão do rei Guilherme.
Segundo o embaixador da Holanda em Bogotá, esta participação "dará a conhecer a riqueza literária e cultural da Holanda e mostrará a sua vocação caribenha", recordando que o reino inclui a ilhas de Aruba, Curação e Saint Martín, no mar das Antilhas.
O diretor da FILBO, Pedro Rapoula, em declarações à Lusa, quando iniciou funções, no passado dia 19, disse que este cargo apresenta "muitíssimos desafios" e esclareceu: "A FILBO é, segundo dados oficiais, o segundo maior evento literário da América Latina, só ultrapassado por Guadalajara. Até há bem pouco tempo, ocupava a terceira posição, atrás de Buenos Aires. Este crescimento deveu-se a um excelente trabalho realizado pela anterior direção. É, pois, muito desafiante (e inquietante) chegar a uma casa que tem conhecido um enorme desenvolvimento nos últimos cinco anos".
"O compromisso passa por não defraudar as expectativas dos editores e livrarias que participam na feira e que são um garante da sua qualidade e sucesso, mas também ir ao encontro das expectativas do público, que procura encontrar na feira algo com que se possa identificar".
Segundo Rapoula, além da FILBO, "a função exige também o acompanhamento de feiras do livro regionais, em toda a Colômbia, e a organização da presença da Colômbia em feiras internacionais, como Frankfurt [na Alemanha], Guadalajara [no México], Bolonha [em Itália] e todas em que a Colômbia seja convidada a participar".
A FILBO é visitada por mais de 600 mil pessoas, durante as duas semanas que decorre, e inclui um programa que conta com mais de 1.500 eventos culturais, entre conferências com escritores, lançamentos de livros, encontros de edição, referiu o diplomata.
A programação da feira pode ser consultada em http://feriadellibro.com.